FUTURO

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18 DE DEZEMBRO – DIA DO MUSEÓLOGO

18 de dezembro de 2013

Para celebrar a data conversamos com o curador do Museu das Telecomunicações

Em 2004 foi instituído no Brasil o dia do Museólogo. O profissional, que é fundamental para o exercício de pesquisa dos museus, tem sua atividade regulamentada desde 1984. Celebramos a data conversando com Alberto Saraiva. O curador do Museu das Telecomunicações (Oi Futuro – Rio de Janeiro) ressaltou a importância do museólogo para a cultura de um país e aproveitou para nos contar como a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta importante para o trabalho desses profissionais e passou a ser também um objeto museológico.

O Dia do Museólogo é um momento para chamar a atenção para o papel desses profissionais na sociedade. Fale um pouco sobre a importância deles para os museus e para a cultura de um país

R. O museólogo é um profissional que presta grande trabalho para a sociedade, pois é ele quem formula as perguntas que vão ajudar a definir quais objetos devem ir para os acervos dos museus, ou seja, aqueles objetos que são fundamentais para garantir a manutenção de um conjunto significativo de referências para a cultura de um país. O que preservar? Porque preservar? Como preservar? São perguntas de base que o museólogo faz no seu dia a dia para manter o exercício da seleção daquilo que é importante para uma cultura. Já que é impossível preservar ‘tudo’, devemos fazer uma seleção daquilo que é mais significativo. Depois que um objeto entra no acervo de um museu, ou seja, quando ele se torna um objeto museológico, dá-se uma série de outras ações realizadas pelo museólogo, como, catalogar, higienizar, restaurar e, a principal delas, pesquisar. A pesquisa, a meu ver, é a principal ação cotidiana de um museu. É o que cria uma dinâmica que deságua em outras várias ações museológicas.

A curiosidade deve ser uma característica importante para um museólogo. Que outras mais ele precisa ter?

R. Sim. É esta mesma curiosidade que as exposições dos museus têm que gerar nas pessoas que o visitam. É a curiosidade que leva até a pesquisa.

Hoje a tecnologia ganhou destaque no mundo. Qual a relação entre museus e tecnologia?

R. A relação é bem antiga porque a tecnologia sempre foi uma ferramenta para o trabalho, seja de pesquisa, de catalogação ou de restauração. Mas veja, a tecnologia tornou-se em si, hoje, um objeto museológico, ou seja, também a tecnologia é uma meta de pesquisa.

Como o Museu das Telecomunicações pensa a tecnologia?

R. O Museu das Telecomunicações trabalha seu acervo todo baseado na tecnologia, já que somos um museu de ciência e tecnologia. Os objetos do museu são parte da evolução tecnológica das comunicações. Nele, você pode encontrar telefones, rádios, tevês, máquinas fotográficas, computadores e um pouco de toda tecnologia geral que causou grande impacto cultural no mundo e que mudou seus rumos. Por outro lado, trabalhamos com a ideia de hipermuseu, um museu de pequeno espaço físico, mas com vasto espaço virtual, visto que dentro do museu temos acesso à rede, à web e, novamente, neste caso, podemos falar de uma meta-museu, que trabalha com meta-tecnologia. Em outras palavras, nosso objeto museológico se refere a si mesmo, como pesquisa. Deste modo, é um museu bastante singular. Como a tecnologia veio pra ficar, o museu das comunicações está em constante avanço, já que seu objeto museológico, a tecnologia [hardware + software + informação] muda todos os dias. Nossos museólogos são, neste caso, profissionais que investigam o passado, avaliam o presente e olham para o futuro, com muita curiosidade.