FUTURO

Makuru

A criança como espectador principal

8 de agosto de 2017

Peça em cartaz no Oi Futuro Flamengo, de autoria e direção de José Mauro Brant e direção musical de Tim Rescala, privilegia a inteligência do público e exalta o poder de compreensão das crianças. No musical infantil “Makuru”, nada de sonoridades repetitivas ou contextos que subestimem a inteligência das crianças. Confira o bate-papo sobre a forma respeitosa com a qual a plateia é tratada durante as apresentações.

Makuru

Oi Futuro – Como mostrar o contexto das canções de ninar de forma sofisticada, sem subestimar a inteligência da criança? Como foi este processo de pesquisa?

JMB – No espetáculo constrói-se a dramaturgia em dois planos, num plano temos uma família: um pai, uma mãe, uma avó e uma babá que estão em torno do desafio de receber um menino que vai nascer e colocá-lo para adormecer e eles vão se acidentando, vou mostrando as dificuldades disso. E simultaneamente tem essa galera do telhado que são seresoníricos na proposta da peça. Quando a mãe fica grávida os seres já ficam no telhado porque é uma chance deles serem lembrados, porque eles estão lutando contra o esquecimento, são eles a Tutu, a Murucututu e o João Pestana que está vindo de Portugal.

Oi Futuro – E como esses dois planos se relacionam?

JMB – Cada pessoa tem uma ligação com um personagem, a Murucututu é uma lembrança indígena que vem nos sonhos das avós, a Tutu é uma lembrança africana que vem nos sonhos da babá e o João Pestana é a relação com o pai, que vai a Portugal lembrar dos seus antepassados. Ele não é só sobre as cantigas em si, mas sobre o ato de acalentar em si. Tem o ritual do menino entender as canções da noite, as temáticas dos acalantos, as situações sempre de que “a minha mãe foi para roça e o papai foi trabalhar”. E a babá é que traz a ciência para a casa deles do acalentar, é um lugar de interseção social, de troca de saberes, um menino rico sendo acalentado por uma ama pobre.

Oi Futuro? – Nem as músicas da peça subestimam a inteligência das crianças, né?

JMB – Eu prezo muito isso no teatro infantil, tudo que se faz para criança, né? Ensinar a ouvir. E tudo que é feito de um jeito só comercial é muito ruim de ouvir. Você pega, por exemplo, a Galinha Pintadinha, e eu entendo que as crianças amam aquilo, mas é inegável que é de uma qualidade musical pobre. Então você oferecer para a criança algo que ela se cale para ouvir, que tenha tempos mais lentos, que tenha silêncios… Sabe? Não tem que sempre bater palma…