FUTURO

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A música que toca no Brasil

11 de setembro de 2018

Sertanejo, MPB e Gospel são, nessa ordem, os três estilos musicais mais ouvidos em doze capitais mais populosas brasileiras. CDs e pen drives com música estão entre as quatro plataformas mais usadas por uma boa parte da população que consome música nestas cidades e a música brasileira é mais ouvida que a estrangeira. Estes são alguns dos dados apurados na edição 2018 da pesquisa “Cultura nas capitais” no recorte de música.

Realizado pela consultoria especializada em cultura JLeiva, o levantamento foi apresentado nesta terça-feira no Oi Futuro. O encontro, que reuniu profissionais do campo da música, contou com a presença do jornalista Leonardo Lichote e do produtor e DJ Jorge LZ e faz parte do calendário de atividades do LabSonica, laboratório de experimentação e pesquisa sonora do instituto.

A pesquisa traz dados sobre o consumo de cultura em doze cidades de todas as regiões brasileiras e foram entrevistadas 10.630 pessoas a partir dos 12 anos de idade de todas as faixas de renda. O gênero musical ouvido pela maioria de norte a sul é o sertanejo: 37% declaram escutar esse tipo de música entre 105 estilos citados. Os hits sertanejos, que embarcam desde as sofrências até o sertanejo universitário, são mais preferidos pelas mulheres (41%) e por entrevistados com menor escolaridade (42%). “Pelos dados vemos que nosso país é muito menos samba e carnaval e muito mais sertanejo e festa junina”, explicou João Leiva, executivo da consultoria responsável pelo estudo.

O funk, no entanto, bate a posição do estilo campeão nacional quando a faixa etária da pesquisa é a mais jovem. Entre os 12 e os 15 anos, 55% dos entrevistados apontam o funk como seu gênero preferido. Em segundo, com 39% da preferência nessa idade, surge o rap. Já a MPB supera o sertanejo entre os ouvintes com maior escolaridade: 63% dos que têm pós-graduação a elegem como seu principal estilo musical. Ela também está em primeiro no ranking da classe A. “A MPB não fala a linguagem que o público mais jovem busca. E isso faz com que ela perca espaço nesta faixa etária. E o sertanejo cresceu a reboque do avanço da classe C no consumo a partir do plano real”, analisou Lichote.

Em relação aos dados sobre as plataformas e suportes usados pelos brasileiros para ouvir música, o que mais surpreendeu os participantes do painel foi a participação de pen drives e CDs. Rádio e YouTube são as plataformas mais usadas e ocupam respectivamente o primeiro e segundo lugares do ranking. Mas logo em seguida são citados os CDs e pen drives, citados por mais da metade dos entrevistados como principal meio utilizado para ouvir suas músicas. “Nas feiras e camelôes é comum ver pen drives sendo vendidos, mas não dava para imaginar que a proporção já estava tão grande”, comentou o pesquisador Jorge LZ.

Outra surpresa trazida pelo levantamento é a segmentação dos dados no Rio de Janeiro, onde o estilo sertanejo não figura entre as primeiras posições. Na capital fluminense, é a MPB a grande líder, seguida do pagode e do gospel. Já o samba ficou com apenas 16% da preferência dos entrevistados na região. “O Rio resistiu bastante ao sertanejo. O estilo só começou a pegar aqui lá pelos anos 2000, com o sertanejo universitário. Isso faz com que tenhamos um perfil diferente na região”, lembrou o jornalista Leonardo Lichote.

Confira a íntegra da pesquisa aqui: http://www.culturanascapitais.com.br/musica/