FUTURO

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AMIR LABAKI E O “É TUDO VERDADE”: UM FESTIVAL QUE SE RENOVA A CADA ANO

1 de abril de 2014

Jornalista, curador, escritor e crítico de cinema, nasceu em São Paulo, capital, e formou-se em Cinema na Escola de Comunicações e Artes da USP, em 1985. Iniciou sua carreira na imprensa como editorialista do Jornal Folha de São Paulo, onde também foi correspondente cultural em Nova York. Autor de doze livros sobre Cinema e História, escreveu também para teatro a peça “Lenya”. Foi ainda por duas vezes diretor técnico do Museu da Imagem e do Som da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. É membro do “board” do Festival Internacional de Documentários de Amsterdã, Holanda, o principal evento mundial dedicado ao gênero. “27 Cenas sobre Jorgen Leth” (2009) é seu primeiro documentário de longa-metragem, tendo sido exibido no CPH-DOX (Dinamarca), Docudays (Líbano), Jihlava (República Tcheca), DocLisboa, Festival do Novo Cinema Latino-Americano de Havana (Cuba), Festival do Rio e Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Amir Labaki  é fundador e diretor do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, que terá o Oi Futuro em Ipanema  entre as salas de exibição.

 

OF. Você costumar afirmar que o documentário está em transformação e, por consequência, mais receptivo às outras artes. O que mudou realmente no gênero nos últimos dez anos?

AL. Uma tendência marcante é a da incorporação de elementos de outros gêneros cinematográficos e artísticos, como a animação, a ficção e o teatro. O documentário tem ampliado a sua palheta, experimentando novos dispositivos narrativos.

 

OF. Fale sobre a evolução do É Tudo Verdade, desde a sua criação, em 1996.

AL. O festival surgiu como uma mostra não-competitiva, pioneira na América Latina como janela exclusiva para a produção não-ficcional brasileira e internacional. Incorporou já em seu segundo ano competições nacionais e estrangeiras e ampliou o espaço para retrospectivas, empenhando em trazer para o público brasileiro a rica história do gênero. Ao mesmo tempo que se consolidou como o principal evento de lançamento das novas safras do documentário no país, expandiu-se para além das sedes em São Paulo e no Rio de Janeiro com itinerâncias pelo país, como a estabelecida em parceria com a Oi em Belo Horizonte há três anos.

 

OF. Em que medida, o impacto da revolução digital contribuiu para tornar o documentário mais acessível ao público?

AL. Para a ampliação de sua visibilidade, tem sido fundamental o relativo barateamento trazido pela distribuição digital em salas de cinema. Tanto é assim que cerca de um terço dos lançamentos nacionais em circuito há meia década é representado por documentários.

 

OF. O que podemos esperar desta nova edição do Festival? Quais os filmes mais criativos?

AL. Mais uma vez o É Tudo Verdade apresenta a nata do documentário de criação, marcadamente autoral. Não cabe a mim destacar títulos, até mesmo pelo fato de haver mostras competitivas. O grau de excelência e inventividade é alto, a partir de um intenso processo de seleção que destaca menos de 10% dos filmes inscritos.