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As #FemiNAVEs em busca da igualdade de gênero na escola

6 de junho de 2017

A busca pela igualdade de gênero tomou as conversas, as paredes, os corredores e até os games que são criados dentro das escolas NAVE no Rio e em Recife. Um mural de cartazes feministas no pátio do NAVE Rio decreta as regras da casa: “Chega de fiu-fiu” ou “Eu não preciso me dar o respeito, porque o respeito já é meu por direito!”.

FemiNAVE
Cartazes do #FemiNAVE

No Rio, um grupo de meninas programadoras, as HackGirls, se reúne para criar jogos e aplicativos mais sensíveis. Em Recife, elas participam de prenda de troca de roupa para confundir os estereótipos. E tudo isso se combina numa simples hashtag: são as #FemiNAVEs, uma corruptela provocadora do termo “feminazi”, usado por alguns para denunciar uma suposta vertente autoritária do feminismo.

“Fazemos rodas de conversa na escola para falar sobre casos de assédio verbal, sobre onde começa o machismo e as relações abusivas”, explica Andressa Alves, do Terceiro Ano da Escola Técnica Estadual José Leite Lopes, o NAVE Rio. “Isso tem mudado muito na forma como os meninos tratam as meninas”, reconhece.

Meninas na tecnologia

Além dos murais escolares, elas estão ocupando também o espaço da tecnologia. Em maio, dois times de programadoras do NAVE Rio se apresentaram no Technovation Challenge, a maior competição mundial de tecnologia desenvolvida por meninas. Em fase final de desenvolvimento, o aplicativo Noiser Ped é um simulador de crise depressiva e o Love Pills ajuda a prevenir transtornos de pânico e ansiedade. Ambos são baseados em princípios de empatia e na vontade de ajudar quem precisa.

technovation
Leticia, Juliana, Larissa, Elaine e Paula (esquerda) e Andressa, Ana Julia, Raissa, Karin e Beatriz (direita) formam os grupos que se apresentaram no Technovation Challenge, em maio

 “A ideia surgiu por causa de uma amiga que sofria de depressão e que queríamos ajudar”, conta Raíssa Rocha, do Terceiro Ano. “Em São Paulo, perguntamos para a plateia se alguém sofria com a doença ou se relacionava com alguém que passasse por isso, e quase todo mundo levantou a mão. Vimos que estávamos no caminho certo ao abordar questões tão comuns do universo feminino, mas ainda pouco exploradas”, lembra.

Em 2015, o jogo Last Drop, sobre o uso consciente da água, levou um time de programadoras da Escola Técnica Estadual Cícero Dias, o NAVE Recife, para a etapa final do Technovation Challenge na Califórnia.

As Hackgirls querem a inclusão numa área dominada por homens: são seis garotas em uma sala com 30 programadores homens no NAVE Rio. “O grupo tem duas semanas de existência, mas já queremos desconstruir todos os estereótipos que formos encontrando. Principalmente dentro de casa, com os nossas amigos e famílias, que às vezes são os que mais têm dificuldade de entender o que fazemos”, explica Eduarda Helena de Carvalho, estudante do terceiro ano e membro do grupo.

 

hackgirls

Evelyn, Ana Julia, Thais, Eduarda (meio), Juliana e Andressa compõem o coletivo Hackgirls

Elas citam suas referências contemporâneas: as programadoras Iana Chan, fundadora da Programaria, uma organização que trabalha para inserir mulheres no mundo da programação e a Camila Achutti, fundadora do programa Mulheres na Computação.

combate aos estereótipos de gênero

No NAVE Recife, o combate aos estereótipos de gênero assumiu um formato mais inusitado e dançante: meninos do Terceiro Ano se vestiram como mulheres, e as meninas, como os homens. A prenda, que também buscou combater a homofobia, foi organizada por um grupo de alunas da escola. “Por trás de toda essa brincadeira havia uma situação séria onde pudemos dialogar e desconstruir ideias”, conta Isabella Vasconcelos, aluna do terceiro ano e participante do grêmio estudantil.

Ainda no NAVE Recife, o BCare, um projeto de app para mães de primeira viagem que está sendo desenvolvido por alunos e pelas alunas Paula Oliveira, Jacqueline Kempa e Acsa Souza, do Terceiro Ano, é mais uma iniciativa que busca reforçar a rede de apoio às meninas. A ferramenta trará um guia para o pré-natal das jovens gestantes, com contagem de semanas, que mostra as modificações no corpo das jovens e o desenvolvimento do feto. A solução ainda traz dicas sobre como conciliar a vida de adolescente à vida de mãe e conteúdo para apoio psicológico das jovens, visando ajudar no combate a mortalidade de adolescentes grávidas no Brasil.