FUTURO

Nazareno, Endora, imagem ateliê abril 2013, fotografia  Gui Gomes.

AS INÚMERAS POSSIBILIDADES DE LEITURA DA ARTE DE NAZARENO

30 de abril de 2014

Paulista, formado em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília (UNB), Nazareno Rodrigues realiza desenhos, pequenas esculturas e objetos, e suas obras exibem narrativas e conceitos que travam um constante diálogo com o público. A exposição “Somos Iguais”, no Oi Futuro Flamengo,  com uma série de instrumentos musicais antigos coletados pelo artista nos últimos dez anos, é um reencontro com objetos/emoções, representando de uma forma sutil e singela, a delicadeza de uma fase da vida comum a todos nós.

 

OF. Em suas obras, você questiona continuamente a relação entre o sujeito e o mundo contemporâneo, Como isso acontece?

 

NR. O que eu abordo no meu trabalho é a ideia da construção de uma adaptação desse sujeito ao mundo que o cerca. Essa elaboração (no meu entendimento) se dá na urgência do cotidiano, o que quero é dizer que repetidamente somos desafiados pela diferença, pois chegamos a um “mundo” que já está previamente preparado com suas leis e sutilezas diversas e que na verdade (pasmem) não foi feito para nós, sendo assim, nos resta adaptar-se, porém o caminho pelo qual  essa adaptação se faz, suas facilidades ou não, suas impossibilidades ao lidar com as diferenças impostas, a ideia de sucesso, a metodologia da coragem ou das estratégias engendradas pelos tipos dados por espertos… é na observação desse “fazer” rotineiro, é nisso que está o foco de atenção e questionamento proposto no meu trabalho. Algo como se o mundo fosse assim, como um parceiro não confiável ao longo da sua vida… e ele é.

 

OF. Como é constituído o universo de seus trabalhos?

 

NR. Na confecção de meu trabalho procuro estar aberto aos diversos estímulos provocados tanto no que diz a questões ordinárias do dia a dia, bem como, a outras influências como a infância, a memória pessoal e coletiva, a dinâmica do uso dos brinquedos em seus diferentes contextos, a literatura, o cinema, a música e o entrecruzamento das diversas áreas de conhecimento.

 

OF. Qual a  proposta da exposição “Somos Iguais”  no Oi Futuro? O que exatamente lhe interessa?

 

NR. Para a exposição no Oi Futuro o que exatamente me interessa é poder descobrir, é poder perceber como se dará a interação do expectador ao ver um conjunto de objetos/instrumentos/brinquedos dispostos como algo deslocado de sua função original, mas que ao mesmo tempo carregam já uma carga de uso, de experimentação, e, em que medida o título “Somos Iguais” vem a elucidar essa interação, em que exatamente Somos Iguais? Meu interesse é de poder provocar no público uma “emoção” a partir da memória pessoal ou coletiva, quer seja pelo aspecto visual dos objetos, pela sonoridade presente na mostra, ou ainda pela ativação de sentidos diversos, visando assim, possíveis respostas.

 

OF. Fale um pouco sobre a coleta dos instrumentos musicais para a realização desta exposição.

 

NR. Já fazem alguns anos que venho coletando esses instrumentos musicais, creio que os primeiros foram adquiridos há aproximadamente 15 anos. No início o que me impulsionou foi uma espécie de tristeza ao ver objetos tão delicados e com tanta potência de encantamento, quer pela sua aparência (cores, formas, etc.) quer pelo seu objetivo (fins musicais), abandonados e semi-destruídos. Eu realmente queria poder restaurá-los, recuperá-los, ser capaz de devolver o seu status original, e então comecei a ver as possibilidades de restauro. Nessa tentativa eu me deparei com as mais distintas dificuldades, desde o tocante a impossibilidade total devido a falta de peças originais e também a outros fatores, como a falta de mão de obra especializada, ou ainda, pelos altos custos propostos em alguns orçamentos de restauro. Dessa maneira e devido a longa convivência com os mesmos comecei a ver (sem tristeza) que era assim mesmo, que algumas coisas não se poderiam restaurar, que algumas coisas permaneceriam com seus laivos de uso e que nem por isso elas seriam menos potentes, menos mágicas e/ou vigorosas em sua essência.

 

OF. Voce vem participando de grandes salões e mostras nacionais e internacionais. Como está a agenda para 2014?

 

NR. Em 2014 realizo a exposição “Somos Iguais” no Oi Futuro durante os meses de abril e maio, ainda em maio participo do calendário de exposições do Centro Cultural São Paulo como artista convidado e abro exposição individual na Galeria Carbono (São Paulo) com retrospectiva de edições e múltiplos realizados nos últimos 17 anos além de lançar duas novas edições especialmente feitas para o evento, em julho abro exposição individual na Galeria Luciana Caravello (Rio de Janeiro) e em setembro inauguro individual na Galeria Emma Thomas (São Paulo).