FUTURO

cubo Kabum

De cara e casa novas: Oi Kabum! inaugura laboratório de arte e tecnologia para intervir no espaço urbano

15 de agosto de 2017

De 2003, quando surgiu a Oi Kabum!, até hoje, o mundo mudou. A produção artística audiovisual também mudou e as periferias nunca estiveram tanto no centro. Acompanhando todas essas mudanças, depois de um redesenho, a Oi Kabum!, projeto criado pelo Oi Futuro, está em um novo endereço e, mais que nunca, propondo um diálogo mais direto com a cidade. Com o patrocínio da Oi, via Lei Estadual de Incentivo à Cultura, a escola de arte e tecnologia voltada para a juventude popular urbana se instalou no Centro de Artes Calouste Gulbenkian, espaço cultural da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. “Vamos investigar a cultura urbana, as próprias experiências dos jovens que ali estão trabalhando, o território em torno do Calouste e do centro da cidade e as próprias referências que os alunos vão trazer”, conta Noale Toja, mestre em educação e coordenadora da Oi Kabum!, fazendo referência ao prédio na região da Praça Onze, no centro da cidade do Rio de Janeiro, onde a escola abre as portas nesse mês.

Passeie pelo Centro de Artes Calouste Gulbenkian, que receberá o novo módulo dos laboratórios da Oi Kabum!

A Oi Kabum! ocupará três salas do Calouste Gulbenkian. O local está em fase final de obras para receber o primeiro módulo, o Laboratório de Intervenções Urbanas (Lab.IU). Envolvido no processo de escolha dos alunos, o roteirista e diretor Fernando Mozart, coordenador da Oi Kabum! desde 2009, diz que, no novo formato, o projeto poderá realizar ações de impacto no centro do Rio e no restante da cidade. “Serão projetos multimídia que sairão de uma turma de 60 pessoas divididas por oito laboratórios e escolhidas dentre 367 candidatos”, explica.

Executada em parceria com o Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip), a Oi Kabum! está de casa nova também por uma decisão estratégica. “Ao sair da Zona Sul e instalar-se em lugar mais central, a escola aumenta a possibilidade de diálogo imediato com o entorno. Além disso, a formação no através de laboratórios está mais antenada com a criação contemporânea e velocidade criativa da juventude do século XXI”, acredita Roberto Guimarães, gestor de cultura do Oi Futuro.

Arquivo Oi Kabum!: “Um Por Dia”, vídeo-poema de Alan Paixão sobre a jornada diária do trabalhador das metrópoles (orientação: Bernardo Alevato)

O objetivo do Lab.IU é realizar uma imersão artística com jovens de 16 a 29 anos para o desenvolvimento de oito projetos de intervenções urbanas compostas por discussões, pesquisas e formação em Motion, Arte Digital, Design, Fotografia, Mapping Vídeo, Desenho e Multimídia. Serão, ao todo, 440 horas de desenvolvimento de projetos em cultura urbana em um ciclo que começa em agosto e irá até 30 de janeiro de 2018. O grupo de selecionados no edital tem idade média de 23 anos e 30% cursam Ensino Superior, enquanto quase 60% tem Ensino Médio completo. São jovens moradores de todas as regiões da cidade do Rio de Janeiro e também da Baixada Fluminense.

Raizes

Arquivo Oi Kabum!: ensaio fotográfico e poético “Raízes”, de Gabrielle de Souza, Hellen Barbosa, Thanis Castros e Thaynara Rodrigues (orientação: Eliane Heireen)

Fundada em 2003, a Oi Kabum! formou em artes gráficas e digitais centenas de jovens de comunidades populares urbanas, estudantes ou egressos da rede municipal de ensino ao longo dos últimos 16 anos. A escola de arte e tecnologia foi fundamental para criar oportunidades, conhecimento e educação de vanguarda para quem muitas vezes mal podia contar com o básico nas suas instituições regulares de ensino. “Alunos egressos integram times de criação e desenvolvimento na Globosat, Grupo Soma, Multiplicidade, Canal Saúde, Tuut, AIC e seguem se aperfeiçoando, entrando na universidade, fazendo cursos e encontrando seus caminhos”, conta Bernardo Alevato, designer e professor de computação gráfica na Oi Kabum!.

As temáticas e o olhar vêm a partir da história pessoal de cada um dos alunos, e o processo da Oi Kabum! valoriza o autoconhecimento e a capacidade de escolher caminhos estéticos, conta Bernardo. “A sensibilidade social aparece também em um sentido de posicionamento no mundo e cidadania”, acrescenta Alevato. “Muitos continuam propagando a ideia de coletividade, criando e participando de cineclubes, coletivos e projetos sociais, por exemplo, Cineclube Pingado, Coletivo Nuvem Negra da PUC, CriaAtivo Film School, Lona Cultural da Cidade de Deus”, conclui.

Arquivo Oi Kabum!: “Foco Vermelho”, de Gabriel Savary e Thayná Souza, é inspirado na proibição do uso da cor vermelha em favela do Rio (orientação: Eliane Heireen)