FUTURO

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Dos palcos à direção, o talento de Guilherme Leme Garcia

3 de março de 2016

Ele nasceu em Lençóis Paulista e acumula três décadas de uma bela trajetória artística. Estudou teatro na PUC – SP e, em Nova York, aprendeu música, dança, mímica e teatro. No início da carreira, ajudou a fundar a Companhia de Teatro São Paulo Brasil e esteve em festivais na América Latina, incluindo o Brasil, e na Europa. Produziu diversos espetáculos como “Decadência”, “Eduardo II” e “Felizes da Vida”. E ainda tem as novelas: “Bambolê”, “Bebê a Bordo”, “Vamp”, “Perigosas Peruas” e “De Corpo e Alma”. Sem contar a participação especial na série infantil “Sítio do Picapau Amarelo”. No cinema, atuou em “Benjamim”, “Erotique” e “Anjos da Noite”, ganhando, neste último filme, o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Gramado. Mas, o talento de Guilherme Leme Garcia não é visto apenas em cena. Ele destaca-se também como diretor. Aqui, ele conversa um pouco sobre esta outra paixão, especialmente, o mais recente trabalho à frente de “Fatal”, em cartaz no Oi Futuro Flamengo: uma trilogia sobre a paixão, com textos inéditos de Jô Bilac, Marcia Zanelatto e Pedro Kosovski, e colaboração artística de Vera Holtz.

OF. “Fatal” é uma continuação do trabalho de pesquisa que você vem desenvolvendo desde as montagens de “RockAntígona” e “Trágica.3”. Fale um pouco sobre esse processo.

GLG. Em “RockAntígona”, comecei a desenvolver um processo de dar uma voz maior para música e para a parte estética, ou seja, luz e cenografia da peça. Com a ideia de dar voz e trazer esses dois elementos – tanto a música quanto a parte plástica – a um nível também de dramaturgia, para que houvesse uma dramaturgia da música e que a parte estética fosse parte da dramaturgia do espetáculo. Voltei a trabalhar dessa forma em “Trágica.3”, e também em “Santa”, no ano passado, porque era uma montagem muito musical e que tinha uma instalação de artes plásticas incrível da Bia Junqueira, com uma luz linda do Tomás Ribas. Acho que este tem sido o meu caminho ultimamente.

OF. Você e a Vera Holtz, colaboradora artística desta montagem, foram até Veneza buscar inspiração na famosa Bienal de arte. Como foi essa experiência?

GLG. Vera é como eu, muito apaixonada por artes plásticas. A gente sempre rodou o mundo vendo artes plásticas, vendo exposições. Estivemos na Bienal de Veneza do ano passado e, claro, conversamos muito sobre “Fatal”. A Vera ia dirigir comigo, mas por um problema de agenda ela não pôde estar durante todo o processo. Mas ela participa como colaboradora artística. Fez um workshop com os atores e a gente conversa muito sobre o desenvolvimento do trabalho. Essa parceria minha com a Vera teve início no espetáculo “O estrangeiro”. Acho que foi ali que a gente começou a voltar o olhar para as artes plásticas e a música.

OF. Qual a importância das tragédias e comédias gregas na dramaturgia contemporânea?

GLG. Tudo vem de lá. O berço da dramaturgia contemporânea são as tragédias e comédias gregas.

OF. Como é trabalhar com três autores do porte de Jô Bilac, Marcia Zanelatto e Pedro Kosovski?

GLG. É o meu time dos sonhos. Três autores que admiro muito e que têm essa generosidade de trabalhar em processo. O texto vai, o texto volta, eles propõem algo, nós conversamos. É um processo colaborativo muito grande. São três belos dramaturgos e poetas.

OF. Algum novo projeto para 2016?

GLG. No segundo semestre, vou dirigir a peça “Bill Dog 2, com o ator Gustavo Rodrigues. Tenho um projeto novo com a dramaturga Renata Mizrahi que é para o ano que vem, mas está em fase de estudos.