FUTURO

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FABRÍCIO CARPINEJAR: “Sou feliz com pouco, que me transborda”

2 de agosto de 2016

 

Poeta, jornalista e professor universitário, tem diversas obras publicadas,  é requisitado  para muitas palestras e, também, bastante reconhecido por seus blogs. Carpinejar, como ele próprio assina, nasceu em Caxias do Sul (RS) e logo foi morar em Porto Alegre, onde cursou a Faculdade de Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No início, atuou na imprensa e, em 1998, lançou seu primeiro título, “As Solas do Sol”. Seguiram-se outros de destaque, como “Meu filho, Minha Filha”, “Canalha”, “O Amor Esquece de Começar”, “Mulher Perdigueira”, “Diário de um Apaixonado”, “A Menina Superdotada”. Entre suas premiações, estão o “Prêmio Nacional Olavo Bilac”, da Academia Brasileira de Letras, em 2003, e  Jabuti, em 2009. Suas frases ficaram famosas no meio literário e entre os leitores:

“Não há defeito mais irritante do que criticar todo tempo os defeitos dos outros.”

“Quem sorri sem parar não é alegre, é falso.”

“É só acreditar que o amor é eterno que ele termina. É só acreditar que o amor terminou que ele recomeça.”

Fabrício Carpinejar é o autor de “Filhote de Cruz Credo”, livro que deu origem ao espetáculo infantil homônimo, em cartaz no Oi Futuro Flamengo.

 

OF. Como surgiu o Fabrício Carpinejar “escritor”?

 

FC. Surgiu da solidão. Só posso ser extrovertido hoje pois fui muito solitário na infância.

 

OF. Além de suas obras literárias, você ganhou destaque também em inúmeros blogs, onde publica muitos de seus textos e escreve sobre outros assuntos pertinentes, como o futebol. Conte-nos sobre esse seu lado blogueiro.

 

FC. Eu tenho um dos mais antigos blogs de atividade ininterrupta do Brasil, desde 2003. O blog foi onde eu me desafiei a escrever crônicas, foi a incubadora de meus textos leves e bem-humorados. Antes da web, era um poeta cadavérico. Exagerei um pouco, como todo poeta exagera.

 

OF. Como filho de poetas, acha que esse ambiente familiar influenciou na sua escolha profissional?

 

FC. Sim, sempre, pela contação de histórias, curiosidade incessante, uso de palavras antigas. Nunca precisei de um dicionário para saber o que significava tal palavra. A palavra vinha com a pronúncia de meus pais.

 

OF. Você foi o primeiro autor a tratar abertamente do “bullying”, com o livro “O Filhote de Cruz Credo”, narrando a prática com humor, sem, no entanto, maquiar a angústia que ela causa. Fale um pouco sobre esta questão.

 

FC. Acredito que tentamos maquiar a realidade com mentiras quando a verdade pode ser pontual e afetuosa. Não devemos esconder da criança a sua aparência, devemos dar a ela a possibilidade de se enxergar de diversos modos. O senso de humor me salvou na medida em que não escolhi o caminho do coitadismo, da vitimização. Descobri que todo agressor é preguiçoso, não imagina a réplica ou a tréplica. A poesia é a arte marcial da linguagem.

 

OF. Algum lançamento em vista ainda para esse ano?

 

FC. Sim, “Felicidade Incurável”, reunião de crônicas, pela Bertrand Brasil. Sou feliz mesmo triste. A felicidade irrompe no meio do choro. Sou feliz com pouco, que me transborda.