FUTURO

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Festival DoSol: ocupando os espaços urbanos

27 de novembro de 2018

O maior festival de música da cena potiguar completou 15 anos em 2018 com uma programação agitada. O evento contou com o apoio do Oi Futuro nesta edição e teve como objetivo, mais do que gerar visibilidade e fortalecer o circuito musical, mapear a produção atual e oferecer novas apostas para o público. Para a produtora e também idealizadora do Festival, Ana Morena, o DoSol é uma ferramenta cultural que luta pela tolerância, respeito e diversidade.

OF. Se você pudesse explicar o festival para alguém que nunca foi, o que você diria?

AM. Eu diria que o Festival DoSol é uma grande celebração da música potiguar e da música independente brasileira. Um local onde todos se misturam, com uma mostra expressiva do que está sendo produzido no circuito indie brasileira e de fora do país. Onde artistas jovens tem a oportunidade de dialogar com seus ídolos, artistas já tarimbados são surpreendidos com novidades e o público assiste a tudo isso interagindo como voz ativa do festival.

OF. Como o festival contribui com novas propostas que envolvem inovação e criatividade?

AM. O ambiente criado no Festival DoSol, com uma estrutura de vários espaços de convivência para os artistas, sem muitas barreiras e com uma estrutura mais fluída, estimula um grande intercâmbio entre os artistas que acabam se conhecendo, descobrindo afinidades e criando projetos futuros, turnê juntas, etc. Além disso, fazemos uma grande mostra com mais de 50 shows no fim de semana e uma série de sides shows ao longo do mês do festival que proporciona uma enxurrada de conteúdos estéticos e estímulos na cidade, amadurecendo a cena local.

OF. Qual o legado que o evento deixa para o público? O que ele vislumbra?

AM. O Festival DoSol na verdade é uma grande comemoração do trabalho realizado ao longo de todo o ano. O legado eu acho que é termos uma cena diversificada, eclética, incensada pelo país inteiro e um público super interessado em novidade. Mas isso é construção de várias frentes, a construção é feita em conjunto com os artistas, com os produtores e com o público.

OF. De que forma o Festival DoSol potencializa o ecossistema da musica independente?

AM. Festivais são plataformas de visibilidade e convivência. Aquecem a cena, fazem os artistas circularem, se agitarem, gravarem discos, produzirem clipes, produzirem merchan, se juntarem em parcerias que gera mais visibilidade do trabalho, enfim. Aí uma grande mostra interessante gera uma visibilidade que atrai um grande público e é isso que faz a roda da economia da cultura girar: artistas produzindo e público consumindo.

OF. O festival conecta produções artísticas de diferentes partes do Brasil. Como essa diversidade na programação amplia o debate de temas atuais para além da questão musical?

AM. Quando você conecta pessoas diferentes, de lugares diferentes, produzindo sons diferentes, isso dá um bolo tão misturado e tão interessante pra todo mundo que está envolvido de um jeito… Você ter uma banda de punk e uma de carimbó em um evento e eles dialogarem, se curtirem, se entenderem, isso transborda para vida cotidiana das pessoas. Quanto mais a cultura fortalecer o ecletismo e diversidade, mais teremos uma sociedade diversa e tolerante. Na música, eu sinto cada vez mais a cena brasileira se diversificando, o festival reflete isso e sempre procura trazer artistas que estão alinhados com a defesa da diversidade, tolerância, respeito pelas diferenças e gentileza.