FUTURO

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Fred Paulino vem aí com suas “Maquinações”

6 de junho de 2018

Mineiro de Belo Horizonte, vivendo em Brumadinho, ele é artista, designer e pesquisador em arte e tecnologia. Atualmente, trabalha como diretor criativo independente para iniciativas pontuais, desenvolvendo projetos gráficos e digitais para cinema, música, artes plásticas e terceiro setor. Fred Paulino desembarca no Oi Futuro com a exposição coletiva internacional “Maquinações”, da qual é o curador.

 

OF. Como surgiu a ideia de realizar “Maquinações”?

 

FP. Maquinações é uma edição “pocket” da exposição Gambiólogos, projeto que iniciei em 2010 e que propõe mostras de arte e tecnologia que dialogam com uma estética do improviso. A cada edição, proponho recortes específicos e, para este ano, a proposta é refletir sobre a criação e operação de máquinas por artistas que são também inventores de engenhocas. Em um momento em que se discute a terceira – ou mesmo quarta – Revolução Industrial, e em que os processos de criação e comercialização de máquinas se transformam ao ponto das patentes fazerem pouco sentido, me interessa investigar como seria a relação dos artistas com a criação de aparatos técnicos.

 

OF. Fale um pouco sobre as obras, ou seja, o que o público vai encontrar de mais interessante na mostra exibida no Oi Futuro?

 

FP. Primeiramente teremos duas performances incríveis na noite de abertura (04/06), a primeira da artista e cineasta mexicana Azucena Losana, que manipula e projeta filmes super 8 ao vivo, e outra do célebre Neville D’Almeida, que fará uma intervenção usando um traje eletrônico (wearable). A exposição contará com nomes de destaque como Abraham Palatnik, provavelmente o maior pioneiro da arte eletrônica brasileira e Guto Lacaz, um mestre que sempre está presente em nossas iniciativas. Teremos também dois trabalhos inéditos do Paulo Nenflídio, uma instalação site-specific do Zaven Paré, um francês genial radicado no Rio, dentre outras obras. Creio que os Balanços InterAfetivos criados pelas paulistanas Lina Lopes e Giovanna Casimiro, que estarão dispostos na entrada do prédio, também proporcionarão uma experiência muito legal aos visitantes.

 

OF. Em pleno 2018, os artistas que participam de “Maquinações” apresentam uma arte “sem manual de instruções”, de acordo com a sua definição, como curador, além de apostarem na interação e não na interatividade. O que isso representa atualmente no universo artístico e tecnológico?

 

FP. Eu tenho uma posição bastante crítica em relação aos eventos mais tradicionais de arte eletrônica, que ora apresentam trabalhos excessivamente lúdicos (sem consistência conceitual), ora são demasiadamente herméticos para o público (pobres esteticamente e/ou com uma carga acadêmica pesada, o que limita sua fruição). Independente da mídia utilizada, me interessa uma arte que seja sensível, esteticamente propositiva e, mesmo assim, suscite questões políticas, tecnológicas, sociais, etc. Nesse sentido, a interatividade é só um detalhe, e não é preciso estar engajado ao meio da arte tecnológica para se sensibilizar com as obras. Curiosamente, esta é uma exposição de arte e tecnologia que não conta com nenhum computador na galeria!

 

OF. Você é responsável por outras iniciativas importantes, como as exposições  “Gambiólogos – a Gambiarra nos Tempos do Digital”, realizadas em Belo Horizonte em 2010 e 2014. Hoje, quais são as suas principais vertentes, como artista, designer e pesquisador em arte e tecnologia?

 

FP. Ainda mantenho alguns poucos clientes em design gráfico e tenho uma produção artística própria, mas continuo principalmente experimentando com o projeto Gambiologia. Há três anos ele deixou de ser um coletivo artístico para transformar-se em um catalizador de iniciativas e pessoas em torno de uma proposta de arte eletrônica com essa marca de improviso, precariedade, despojamento, propondo o reuso de materiais, um diálogo com a cultura popular e estabelecendo links com a educação “mãos na massa” e com o movimento maker.

 

OF. Algum outro novo projeto para esse ano?

 

FP. Durante o mês de maio estive em uma residência artística no MediaLab Prado, um centro mundialmente referencial em arte, tecnologia e sociedade, localizado em Madrid. No segundo semestre pretendo levar as Maquinações para Belo Horizonte e elaborar a quinta edição da Facta – a revista de Gambiologia. Também tenho planos para uma celebração dos 10 anos do projeto, completados agora em 2018, mas isso por enquanto ainda é surpresa…