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Kino Beat: a mistura de sons e imagens

5 de dezembro de 2018

O Kino Beat é um dos principais festivais de criatividade do país e, durante os dias 13 de novembro a 13 de janeiro, em Porto Alegre, promete trazer música exploratória, performances audiovisuais multimídia e artes integradas. Em sua 5° edição apoiada pelo Oi Futuro, o evento trabalha os pilares imagem (Kino) e som (Beat) para levar a reflexão sobre o paradoxo da abundância – tema que norteia a programação e surgiu da inquietação pessoal do idealizador e curador do festival, Gabriel Cevallos. Confira mais a seguir:

OF. Se você pudesse explicar o festival para alguém que nunca foi, o que você diria?

GC. Espere por um festival onde você vai se surpreender, e possivelmente ver, escutar, sentir e experienciar trabalhos artísticos inéditos. Um espaço que estimula o risco e o inusitado dentro de um campo amplo de linguagens artísticas.

OF. Como o festival contribui com novas propostas que envolvem inovação e criatividade?

GC. O Kino Beat tem o histórico de incentivo e comissionamento à criação e desenvolvimento de shows, exposições, performances e espetáculos inéditos para compor a sua programação, na edição desse ano foi criado um espetáculo multimídia para teatro, uma exposição coletiva e um seminário. Todas essas atividades foram co-criadas, envolvendo a curadoria do festival com diferentes interlocutores, promovendo um diálogo diverso e compartilhado da experiência criativa.

OF. Qual o legado que o evento deixa para o público? O que ele vislumbra?

GC. O legado de que sempre existem espaços para serem explorados, seja na prática artística, no convívio e trocas pessoais, e dentro das engrenagens institucionais que tornam possíveis o festival. O Kino Beat vislumbra ser uma referência para público e artistas de um festival livre, onde as pessoas possam ser transformadas a partir da experiência individual e coletiva com a arte. Ele vislumbra ser um agente transformador, e que ajude o desenvolvimento criativo e econômico da cidade.

OF. Essa é a primeira vez que a programação é pautada por um tema principal, no caso, a abundância. Pode nos dizer porquê a escolha do tema e qual a relação dele com o festival?

GC. O tema partiu de uma inquietação pessoal, de perceber como a sociedade é cercada por excessos, transbordamentos, e abundância, seja de sentimentos, ideologias, informações, criação, consumo, entre outras muitas condições, sejam elas positivas ou negativas para a nossa vida. O tema se cola ao festival de forma imediata quando se analisa a sua programação, seja em conteúdo e duração, são 2 meses de uma programação múltipla, que aponta para muitos lados e celebra a multidisciplinaridade. Algumas atividade tocam de forma mais crítica o tema, como a exposição coletiva Lento Crepúsculo, que reflete sobre a nossa capacidade de enxergar, refletir e reagir aos excessos e abundância do mundo. Outras atrações abordam o tema de forma subjetiva, como a dupla francesa Frank Vigroux e Antoine Schmitt, que apresentou a performance audiovisual Tempest, que imaginou o momento inicial da criação do mundo, e representou para o festival, a capacidade gigantesca e divina da arte de criar universos reais e imaginários. Nada mais abundante do que o próprio universo.

OF. A programação não se restringe à música, como o Kino Beat levanta discussões acerca de questões atuais por meio da arte.

GC. Acredito que o tema do festival tenha sido esse grande disparador, quase como uma questão filosófica, que o festival joga para o público pensar a partir de todas experiências artísticas propostas, seja elas musicais, audiovisuais, performáticas, teóricas e expositivas. No evento Zeitgeist Sunset, o Kino Beat subverte um formato de festa diurna, o Sunset, tradicionalmente conhecido por glamour e hedonismo, para fazer um questionamento, é possível dançar o som dos sentimentos, condições e estruturas que regem e afetam a nossa vida? Os artistas escolhidos para introduzir essas questões se relacionam em seus trabalhos com questões atuais como: crise de refugiados, memória e preservação cultural, reciclagem, racismo, amor, opressão, esperança, distopias, utopias, natureza e excessos digitais. A provocação foi feita, cabe ao público responde-la ou não.