FUTURO

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MARCIA DERRAIK E A MOSTRA LIVE CINEMA

25 de setembro de 2014

 A arte audiovisual que transcende o meio, o espaço e o tempo

 

Documentarista, graduou-se em Cinema pela Universidade Federal Fluminense e, atualmente, faz mestrado em Mídia Digital pela Goldsmiths University, em Londres, defendendo tese sobre o conceito e tendências do Live Cinema. Desde 1999, é sócia da Antenna Produtora, onde dirige e produz conteúdo para cinema, tv, novas mídias, atuando no Rio de Janeiro e em Londres. Marcia Derraik idealizou, com o artista multimídia Luiz Duva,  a Mostra Live Cinema, que estará em outubro no Oi Futuro em Ipanema, com uma programação imperdível.

 

OF. Primeiramente, o que é o Live Cinema e qual o seu conceito, numa época de pós-convergência de tecnologias, dos meios e das artes?

 

MD. Live Cinema é performance audiovisual em tempo real, ou seja, os artistas manipulam imagens, sons e dados no momento da exibição da sua obra, diante do público. Esse termo Live Cinema foi usado originalmente na época do cinema mudo quando música e dublagem aconteciam ao vivo no momento da exibição do filme. Com a junção do som a imagem, e também com as animações e os efeitos de pós produção, há uma interrupção nessas experiências que vão retornar nos anos 90 na figura do VJ. Passamos então a (re)experimentar na sala de exibição o processo de manipulação de som e imagem, só que agora usamos a tecnologia e desenvolvemos técnicas de uma forma nunca antes imaginada. Com mais e mais recursos e acesso, captamos, manipulamos e recombinamos imagem e som, barrando todas as fronteiras entre real e digital, tela e espaço, sujeito e obra. Não entendo nossa época como de pós-convergência porque não identifico quando foi a época de pré-convergência, quero dizer que desde que existe audiovisual, e isso é muito antes de Lumière, existe convergência de tecnologias, meios e artes, e existe também uma tradição de experimentação em tempo real. E é seguindo essa tradição que o Live Cinema se afirma e se atualiza.

 

OF. Fale sobre a evolução da Mostra, desde que foi criada, em 2007, até hoje.

 

MD. A Mostra Live Cinema começou como um evento dentro do Festival de Cinema do Rio. A maioria dos artistas daquele ano eram VJs que sentiam necessidade de sair da pista de dança e exibir seus trabalhos numa sala de cinema. Somos muito gratos a OI por ter entendido a importância daquele momento e patrocinado essa experiência que continuou anualmente. De lá pra cá recebemos centenas de propostas de artistas diversos (visuais, performáticos, programadores, cineastas) e a Mostra vai se moldando de acordo com as tendências de cada ano que são apresentadas nas inscrições disponíveis no web site. Já exibimos 80 performances, 72 nacionais e 9 internacionais, realizamos 6 mesas de debates, 3 palestras, 3 oficinas e 2 mostras de vídeos. E por conta da credibilidade que o evento tem com artistas, críticos, acadêmicos e patrocinadores podemos funcionar como uma vitrine do live cinema contemporâneo.

 

OF. Quais os principais destaques da edição 2014?

 

MD. Este ano serão 10 artistas, 9 nacionais e 1 francês, o Maotik, que se apresenta no Oi Futuro de Ipanema na noite de abertura da Mostra com a performance Omnis que depois ocupará o espaço como instalação interativa. Nessa mesma noite teremos a performance do Coletivo carioca Plástico Preto que também seguirá ocupando o espaço como instalação. Ainda na abertura, o Dj Dolores e a artista Mary Gatis projetam na fachada do prédio. De modo que essa noite de abertura promete..

 

OF. Como acontece o processo de seleção dos inúmeros projetos inscritos?

 

MD. O processo acontece com as inscrições que disponibilizamos anualmente através do website da Mostra: www.livecinema.com.br. A curadoria analisa cuidadosamente cada proposta e seleciona a partir da pertinência da performance com o conceito da Mostra Live Cinema e com a tendência do ano, a adequação aos espaços que dispomos e os limites orçamentários da produção do evento. Muitas e muitas boas propostas não são absorvidas mas disponibilizamos nosso website e redes sociais para todos os artistas interessados em divulgar seus trabalhos e trocar informações e experiências.

 

OF. E a experiência com as oficinas?

 

MD. A experiência do ano passado com as Oficinas foi sensacional! Fizemos duas oficinas nas Bibliotecas Parque da Rocinha e de Manguinhos, nosso objetivo é aumentar o acesso à informação e às tecnologias do audiovisual em tempo real. No Rio, por exemplo, existe uma tradição de manipulação de música que resultou no funk carioca, sucesso nacional e internacional. Apostamos nesse talento e queremos capacitar os jovens a manipular também imagens. Continuando as ações das Oficinas faremos apresentações Live Cinema nas Bibliotecas Parque do Centro do Rio e de Niterói e esse é o primeiro ano de parceria com o projeto Cinemão, que leva cinema às comunidades. Vamos levar também Live Cinema. E será no Méier, no encerramento da Mostra, com apresentação da dupla paraense Uaná System.