FUTURO

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O PREMIADO E TALENTOSO FABIANO MIXO E SUA INSTALAÇÃO “CARTAS A LUMIÈRE”

1 de abril de 2017

Artista multimídia e cineasta, cresceu em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, e estudou Arte & Mídia na EAV do Parque Lage, e Cinema e Comunicação Social na PUC-Rio. Concluiu seus estudos em Direção na FilmArche, em Berlim, onde atualmente também reside e trabalha. Participou de exibições de arte digital, como Lumen Prize Exhibition, entre outras. Em 2016, venceu o Prêmio EMAF-Medienkunst-Preis de Melhor Filme Experimental pela Associação Alemã de Críticos de Cinema, em Osnabruque. Em abril, Fabiano Mixo leva ao Oi Futuro Flamengo mais uma de suas obras.

OF. Como surgiu a ideia de criar a instalação “Cartas a Lumière – A chegada do trem à estação”?

FM. CARTAS A LUMIÈRE surge do desejo de pensar o filme e a imagem em movimento imersivamente – um desejo de expandir o frame e a narrativa. Originalmente, a ideia era criar uma videoinstalação que explorasse a imagem em 360 graus em um ambiente físico e imersivo. Durante o processo, acabei esbarrando com a Realidade Virtual que, para mim, estabelece uma ligação muito clara com as origens da imagem em movimento, como se realmente estivéssemos diante do surgimento de algo singular. Procurei olhar esse novo ambiente através dos elementos que primeiro foram percebidos pelo cinema: os trabalhadores, os trens, a realidade em fragmentos. “A chegada do trem à estação” é parte desses processos em construção e a Central do Brasil é de onde parte o meu olhar. Na instalação no Oi Futuro Flamengo vamos apresentar um resultado desses processos, que continuam em movimento.

OF. O que representa o pioneirismo dos Irmãos Lumière na sua trajetória como artista visual e cineasta?

FM.Boa pergunta. Acho que representa o encontro entre arte, ciência e tecnologia. Não estou certo se eles estavam realmente conscientes dessas aproximações – dizem que eles só viam potencial científico no cinematógrafo – mas definitivamente proporcionaram isso. Os Irmãos Lumière sintetizaram em uma única ferramenta as experiências e o aprendizado de diversas áreas das artes e do conhecimento. É extraordinário. Gosto de pensar na arte com um certo rigor científico, inventividade, pesquisa de linguagem e uma abordagem autoral. Talvez eu busque de alguma forma no meu trabalho esses encontros, por vezes antagônicos, essas formas híbridas.

OF. Fale um pouco sobre o seu trabalho com linguagens híbridas e novas tecnologias para recontextualizar a História.

FM. Uma vez, eu ouvi uma frase de um professor de História que me marcou bastante: “A História é contada por aqueles que vencem as guerras, Fabiano.” E isso é tão simples quanto óbvio. A História é uma ficção, uma colagem de fatos, uma perspectiva. Daí a necessidade de revisitá-la e, principalmente, de ressignificá-la. Gosto de pensar na História como material e ferramenta de trabalho, de criar conexões e desconexões a partir de diferentes formas, tecnologias e olhares.

OF. “Woman without mandolin” (“Mulher sem bandolim”), filme cubista de sua autoria, ganhou recentemente o “Prêmio do Público”, no Lumen Prize, um dos prêmios de arte digital mais badalados do mundo. Como você se sente com esse sucesso? Afinal, foi a primeira vez que uma obra brasileira ficasse entre as vencedoras.

FM. Foi uma surpresa boa ganhar o Prêmio do Público. WWM é um filme que não se revela logo à primeira vista, então eu fiquei muito contente por ter atingido tantas pessoas e por ter estabelecido esse diálogo com a audiência. O Lumen Prize é um prêmio internacional de arte digital que tem essa característica de um formato de exibição itinerante e global, o que é ótimo. A obra viajou por diversas cidades como Vancouver, Londres, Shanghai e Nova Iorque. O especial é a oportunidade de exibir o trabalho.