FUTURO

HELOISA-BUARQUE00

OI FUTURO ENTREVISTA: HELOISA BUARQUE DE HOLLANDA

28 de março de 2013

Todo mês, o Oi Futuro apresenta aqui no portal, entrevistas com personalidades e nomes de peso do mundo da cultura, das artes e tecnologia.

As entrevistas já estão presentes em nossa programação mensal física, distribuída nos centros do Oi Futuro, e agora você poderá acompanhar tudo por aqui.

Nossa primeira entrevista da série mensal é com Heloísa Buarque de Holanda.

Ensaísta, escritora, jornalista, crítica literária, professora e pesquisadora, nasceu em Ribeirão Preto (SP). Formou-se em Letras Clássicas pela PUC-Rio, com mestrado e doutorado em Literatura Brasileira na UFRJ e pós doutorado em Sociologia da Cultura na Universidade de Columbia (Nova York). É coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC/UFRJ), diretora da Aeroplano Editora, curadora do Portal Literal e autora de importantes publicações. Nos últimos anos, vem trabalhando com o foco na cultura produzida nas periferias das grandes cidades, bem como no impacto das novas tecnologias digitais e da internet na produção e no consumo culturais. Heloísa é uma das curadoras do projeto Zona Digital, evento que acontece, desde o ano passado, no Oi Futuro Flamengo, e que propõe uma reflexão sobre os rumos da literatura frente ao crescimento das novas mídias.

 

OF. O Zona Digital abriu um importante espaço para o debate intelectual, trazendo para o Brasil grandes pensadores. Qual o conceito desse projeto?

HBH. O impacto das novas tecnologias sobre todos os niveis da nossa experiência foi rápido e inegavelmente transformador. Entretanto, uma discussão mais aprofundada ainda não produziu a massa crítica necessária correspondente à força desse impacto. Escolhi então, nesse universo, um campo específico que é o campo das novas narrativas transmidia que vão configurar a arte e a literatura num futuro mais próximo do que podemos imaginar, e trouxe para o Oi Futuro um Forum de debates e informações de ponta sobre o tema.

 

OF. A senhora poderia dar um pequeno balanço do que representou esse projeto no Oi Futuro, desde que foi lançado?

HBH. O Oi Futuro foi palco de palestras e seminários com os maiores especialistas em cultura digital nacionais e internacionais como Pierre Levy, Janett Murray e tantos outros.

 

OF. O que podemos esperar para as próximas edições do Zona Digital?

HBH. Pensei em transformar esses encontros mensais num festival de três dias que otimizasse a presença destes participantes renomados e pudesse marcar com mais força a agenda cultural da cidade. O tema continua sendo o futuro da cultura no ambiente transmídia.

 

OF. O advento das novas mídias trouxe infinitas possibilidades e perspectivas de narrativa e vem transformando o papel do autor e, principalmente, do leitor.  Diante desse novo contexto, até onde pode ir a literatura antes de se tornar uma nova arte, baseada num novo suporte? 

HBH. Não penso que a literatura tradicional com seus valores canônicos como uma certa visão de qualidade literária, a importância da autoria, a inserção por filiação na serie literária etc vá desaparecer nem mesmo perder volume e prestígio. O que acho é que estamos vivendo o surgimento de novas práticas da palavra fora do condicionamento da superfície do livro e do papel e que desenvolverão novas formas narrativas híbridas e multiplataforma. Hoje, na área da literatura, já temos o ascenso dos livros-aplicativos que são claramente um embrião desse futuro narrativo.

 

OF. Nos últimos anos,  a senhora vem trabalhando também com o foco na cultura produzida nas periferias das grandes cidades. Fale um pouco sobre isso.

HBH. Acho que junto com a cultura digital, a segunda grande novidade que vai marcar a cultura e as artes do século XXI é a cultura da periferia que traz uma forte interpelação às formas autônomas da cultura moderna de elite e que propõe novas funções socias transformadoras para a literatura e para o fazer artístico.

 

OF. Qual o foco de Heloisa Buarque de Hollanda para 2013? Vem livro novo por aí, alguma exposição?

HBH. Meu foco é a publicação de um livro aplicativo sobre cultura e engajamento nos anos 60 e sobre um trabalho em livro com versão provavelmente também multiplataforma chamado ” Sinais de Turbulência” sobre este início de século. No mais, continuar com meu projeto Universidade das Quebradas e com o Polo Digital , ambos no Programa Avançado de Cultura Contemporânea que coordeno na UFRJ.

 

Gostou?

Confira também a entrevista com o escritor e filósofo Francisco Bosco.