FUTURO

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OI FUTURO ENTREVISTA: MÁRIO NASCIMENTO

15 de abril de 2013

No mês de abril, o Oi Futuro traz uma entrevista exclusiva com o coreógrafo Mário Nascimento.

Antes de se tornar o coreógrafo empenhado em reinventar a linguagem da dança e descobrir suas possibilidades, ele percorreu uma longa trajetória, iniciada em 1978, quando se interessou por ballet clássico, dança moderna e jazz. Mas estava determinado  a buscar novos rumos para suas inquietações de artista, o que o levou a estudar e aprender com alguns dos ícones mais consagrados da dança, como Toshie Kobayashi, Lenie Dale, Fred Benjamin, Redhá Bettenfour, Joyce Kermann e Tony Abbot. Dez anos depois, aprimorou-se, na Europa, na arte da dança moderna e contemporânea. De volta ao Brasil, vislumbrou possibilidades nas artes marciais e buscou uma compreensão apropriada à sua percepção de coreógrafo, das técnicas de composição de ritmos musicais, o que definiu e enriqueceu sua linguagem. Em 1998, criou, em São Paulo, junto com o compositor Fábio Cárdia, a Cia  Mário Nascimento e, em 2002, transferiu-a para Belo Horizonte. Desde então, o grupo vem se apresentando em inúmeras cidades do Brasil, e coleciona vários prêmios. Em 2013, comemora 15 anos de atividades, e apresenta, no Teatro Klauss Vianna, o espetáculo “Nômade”. Ou melhor: Desapegar. Partir. Mudar.

OF. Como surgiu a Cia Mário Nascimento?

MN. A Cia foi criada num momento de grande inquietação na dança paulistana. Eu havia acabado de sair do Cisne Negro, onde aprendi muito como Assistente de Direção de Hulda Bittencourt sobre os meandros de como dirigir uma Cia de Dança, uma vez que Hulda é uma grande Diretora. A Cia MN foi fundada por mim e meu parceiro, o músico Fabio Cardia, depois de um período de pesquisa com trabalhos anteriores a Escapada. A Cia surgiu dentro do Centro Cultural SP no evento Masculino na Dança idealizado por Marcos Bragato. Fui um período muito rico de vários coreógrafos pesquisando e produzindo seus próprios trabalhos. Nossa linguagem nasceu dessa inquietação e desse movimento de dança na época.

OF. Como Bailarino, Professor e acima de tudo Criador, você construiu uma assinatura própria, um jeito de fazer dança, ou melhor, de construir a sua Dança.  Fale um pouco sobre esse processo.

MN. Minha linguagem nasceu de uma impossibilidade, por ser um bailarino um pouco a-típico, onde meu corpo não se enquadrava nos padrões da época. Isso me levou a estudar outras possibilidades e por isso fui criando uma linguagem muito própria de pensar e construir movimentos. Logicamente isso veio a partir de várias influencias que tive, todo tipo de influência naquele momento. Eu era um bailarino muito inquieto, assistia tudo que acontecia de dança. Estava voltando de um período na Europa onde tive oportunidade de trabalhar e ver como atuava a Dança Contemporânea européia. Mas a maior influência sempre veio do Brasil. Era um momento de pesquisa onde não sabíamos para onde íamos mas sabíamos que tínhamos que criar. Minha formação nas danças clássica, moderna, jazz, artes marciais além da pesquisa musical de Fabio Cardia foram importantes elementos que influenciaram na formatação da linguagem da Cia. E é claro que ter trabalhado com Lenie Dale no início da minha vida profissional, me deixou uma marca positiva por toda a minha carreira.

OF. Não é a primeira vez que a sua companhia se apresenta no Oi Futuro, certo? Quais os espetáculos já exibidos no centro cultural?

MN. “Faladores” dentro do Verão Arte Contemporânea em Fevereiro de 2010. “Escapada”, em janeiro de 2011. Estréia de ‘Território Nu’, dentro do Fórum Internacional de Dança (FID) em Outubro de 2011. “Tourada com Fantasma”, dentro do 1, 2 na Dança em Setembro de 2011. E agora a grande estréia do espetáculo “Nômade” em Abril de 2013.

Adoro fazer espetáculos no Teatro Oi Futuro em BH porque é um palco muito acolhedor e com uma boa proximidade com a platéia. Tamanho ideal para o nosso grupo.

OF. O que o público poderá esperar de “Nômade”?

MN. Tudo que venho pesquisando nesses anos todos, aliado a grande força musical proposta pelo músico Fabio Cardia e a Assistência de Direção e Coreografia de Rosa Antuña. Um resultado de 15 anos de pesquisa, e transformações do grupo. Vamos nos reinventando, sempre na busca de novas possibilidades e novos caminhos. O processo não se concretiza, continuamos avançando e percorrendo o mundo. Explorando qual o nosso mapa e nossa língua. É um trabalho de máxima inquietação. Continuamos procurando… Pretendemos continuar indo na busca do ideal de arte que talvez não exista. O tesouro não é chegar é andar. Somos Nômades!

OF. Qual a sua avaliação sobre o atual momento da dança contemporânea no Brasil e no exterior?

MN. A dança brasileira se impôs para o resto do mundo. Estamos no mesmo patamar de outros países e talvez melhor. A Dança contemporânea fora do pais continua numa mesmice… Já no Brasil a dança contemporânea hoje é MINEIRA. Percebo um movimento forte dos grupos e artistas independentes,  e também das Cias consolidadas e em processo de crescimento. Viajo muito pelo Brasil e posso dizer que a dança mineira é talvez umas das mais importantes do país atualmente. Temos aqui eventos como o FID, VAC, 1, 2 Na Dança, Horizontes Urbanos, FIT e outros que tem atuado como  importante elementos fomentadores e de visibilidade desta Dança. Estamos nos articulando como classe e isso é fundamental, através da representatividade da Associação Cultura Dança Minas, diante dos órgão Públicos. Apesar de inúmeras dificuldades de trabalho continuamos produzindo. A Dança mineira é pulsante!
É verdade que ainda precisamos de melhores condições de patrocínio, onde as leis e outras possibilidades de editais e financiamento devem se aprimoradas. Mas estamos avançando.

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