FUTURO

Oi-British Council F3 ag. © Cristina Lacerda-9443

Programa Pontes: fomento da economia criativa através de festivais

30 de janeiro de 2018

Com trajetórias dedicadas aos diálogos, o Oi Futuro e o British Council se uniram em um projeto inédito e especialmente concebido para festivais brasileiros. As duas organizações lançam o edital de matchfunding Programa Pontes, que tem o objetivo de fomentar a internacionalização de festivais brasileiros, estimulando o intercâmbio e a residência de artistas do Reino Unido por aqui. Em um mundo tão globalizado e conectado em redes como o de hoje, nunca se precisou tanto cocriar novos espaços e territórios para dialogar com a arte, com o novo e com o original.

E é construindo essas pontes através de festivais que o programa tem o intuito de oferecer novos paradigmas para a arte, trazer interessantes experimentações para os dois lados e propor olhares e ideias em prol do papel transformador da cultura. “Nunca se falou tanto de parceria e de rede. Queremos dividir estas palavras que estão no nosso vocabulário há tanto tempo através de um modelo ainda mais sustentável onde não sejamos o único patrocinador e fomentador. Encontramos no British Council o parceiro ideal para isso. Estamos propondo juntos um projeto inédito de patrocínio sem ser através de leis de incentivo, mas com recursos diretos, o que vai poder nos levar para cidades e locais em que não conseguíamos estar. Com isso teremos um novo apoio de crédito e crença em mais festivais, que tanto dialogam, informam e propõem novos olhares”, explica Roberto Guimarães, Gestor de Cultura do Oi Futuro.

A economia criativa gerada pelos festivais movimenta os cidadãos, as cidades, a troca entre artistas, o acesso do público a performances internacionais, o intercâmbio cultural e, por isso, os festivais são potentes plataformas de formação e disseminação de ideias. No Programa Pontes, por exemplo, podem se inscrever festivais brasileiros dispostos a receber artistas da Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales para residência cocriativa, com oportunidades de conexão e experimentação com criadores brasileiros. As duas instituições farão uma seleção conjunta de festivais brasileiros que receberão aporte financeiro, um total de R$ 500 mil, para os dez festivais selecionados e as residências devem durar no mínimo duas semanas resultando necessariamente em trabalhos artísticos originais e abertos ao público. “Não temos nenhum corte, limitação ou impedimento em nenhuma área. Pode ser na literatura, no hip hop, no digital, ou através de multilinguagens. O que queremos é inovar e quem sabe construir um novo canal que nos faça acessar festivais com os quais não trabalhamos ainda”, diz Cristina Becker, Gestora de Artes do British Council Brasil.

E historicamente este é o poder do festivais: trazer acesso a novas ideias. Aqui no Brasil, os festivais assumiram uma importância vital para a cultura brasileira, principalmente a partir dos anos 60, com a transmissão dos célebres festivais da canção na TV. Ganhando novos contornos e  trazendo um peso diferente para a cultura, foram eles que fomentaram a popularização da MPB e projetaram grandes nomes da música brasileira tais como Caetano Veloso, Chico Buarque, Elis Regina, Roberto Carlos, entre outros. Os festivais eram e continuam sendo porta-vozes da juventude, das vanguardas nacionais, da modernização, dos discursos de identidade e do movimento artístico de um país.

Só no Rio de Janeiro, nas últimas duas décadas, por exemplo, uma profusão de festivais importantes contribuiu para a cultura de forma sem precedentes: Festival do Rio, Panorama, Anima Mundi, Novas Frequências, BIG Festival, MIMO, Tempo, FLIP, entre dezenas de outros festivais importantes. Números recentes do Fórum dos Festivais, entidade que reúne os principais eventos brasileiros realizados no país ou no exterior, explicam que apenas no setor audiovisual, o Brasil possui mais de 240 festivais desde iniciativas independentes, regulares e consistentes de exibição até os festivais tradicionais plenamente consolidados, que atraem quase 3 milhões de espectadores por ano juntos. É um grande impacto.

A ideia é que o Programa Pontes traga experimentações, revele novos artistas, permita uma maior liberdade no processo de  criação e que ele cumpra seu papel como agente de intercâmbio cultural. As propostas poderão ser inscritas através do site do Oi Futuro até o dia 28 de fevereiro. No regulamento, há uma lista de referência com links para pesquisa curatorial com criadores britânicos de diversos campos das artes. “Através do Programa Pontes o realizador ou o curador do festival poderá viabilizar uma residência artística e ter a tranquilidade para pensar no seu projeto de maneira livre. Para nós está sendo uma oportunidade de ouro poder mapear novos festivais que antes não poderiam ser contemplados em um edital”, conclui Luciana Adão, coordenadora de Patrocínios Culturais Incentivados do Oi Futuro. Em um mundo atual lotado de muros, a hora é essa de aproveitar novas pontes.