FUTURO

Grafismo Cor

Públicos no plural: a questão da acessibilidade em espaços culturais

25 de setembro de 2017

O acesso real e o mais pleno possível à arte contemporânea, à educação de qualidade e à informação é uma questão amplamente debatida no Brasil, mas ainda não esgotada. Pelo contrário: muitas dúvidas são suscitadas quando o debate sobre a acessibilidade vem à tona, sobretudo no campo da comunicação. O mês de setembro, considerado o Mês da Cultura Surda e apelidado de Setembro Azul, é um grande gancho para alavancar essa discussão.

Uma ação do Territórios Acessíveis (Rede Unlimited), da qual o Oi Futuro faz parte, a roda de conversa Cultivar Sentidos vai tratar da comunicação e acessibilidade em instituições culturais. O evento vai acontecer nos dias 26 e 27, no Museu do Amanhã e no Oi Futuro, respectivamente, e tentará responder perguntas sobre como tornar as instituições culturais cada vez mais inclusivas e acessíveis e como realizar uma comunicação assertiva entre as instituições e as pessoas com deficiência. Temas como o impacto da língua, linguagem e tradução na constituição do pensamento e a ocupação dos lugares de fala pelas pessoas com deficiência no Brasil serão alvo de debate.

Mas como a questão da acessibilidade pode ser implementada em museus e centros culturais? Segundo Viviane Sarraf, diretora técnica e fundadora da Museus Acessíveis, “não existe uma forma ideal, pois cada instituição deve considerar suas especificidades e realidades para oferecer o que é viável em sua dinâmica”. Ou seja, é muito importante que cada instituição tenha pleno entendimento e noção das suas possibilidades, estudando seus espaços e sua proposta, para fazer as adaptações necessárias para toda a diversidade exigida.

Apesar disso, mesmo prevista em lei, a acessibilidade nem sempre é implementada da forma que deveria. “Isso ocorre pois nem sempre os gestores das instituições culturais conhecem a legislação que obriga que os ambientes, produtos e serviços culturais sejam oferecidos com acessibilidade universal. E também porque, para implementar as adequações de acessibilidade, é necessário planejamento e investimento de tempo, recursos humanos e financeiro”, enfatiza Viviane, que é uma especialista em acessibilidade na cultura.

Desde a sua fundação, o Oi Futuro sempre foi comprometido com o fomento às artes contemporâneas, mas, principalmente, com a responsabilidade de fazer com que todos, sem exceção, usufruam de sua programação. Sempre se preocupando com os diversos públicos, há algum tempo a instituição faz questão de utilizar a palavra acessibilidade no plural, para evidenciar que todos são públicos em potencial e devem aproveitar o que esses espaços culturais têm a oferecer.

O programa tem procurado tomar, ano após ano, este lugar mais pulsante e mais dinâmico, e vem tentando elevar, à maior potência possível, o conceito de interatividade, dinamizando, através de centenas de ações, a instituição. Tudo sempre com o mesmo objetivo: tornar o nosso centro cultural mais democrático, mais receptivo e mais aberto a todos”, explica Roberto Guimarães, Gestor de Cultura do Oi Futuro.

Em 2015, o Programa Educativo do Museu das Telecomunicações do Oi Futuro lançou o Caderno de Acessibilidades, um compilado de respostas às questões sobre a promoção de acessibilidade em espaços culturais. A publicação, disponível em áudiodescrição, vídeo-libras  e impresso compartilha pensamentos e ideias sobre um tema fundamental: o acesso, real e o mais pleno possível, à arte contemporânea, à educação de qualidade e à informação. Além disso, em 2016 o Programa Educativo do Museu das Telecomunicações do Oi Futuro deu mais um passo na busca de um maior diálogo com seus visitantes, com a integração, no seu corpo de colaboradores, de um educador surdo.

Pegando carona no Setembro Azul, que ainda inclui o Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência (21/09) e a Semana Nacional da Pessoa Surda, e celebrando mais uma conquista de acessibilidade em espaços culturais, o Museu das Telecomunicações do Oi Futuro está lançando um roteiro em vídeo-libras. A partir de 27/09, todas as atrações do Museu terão uma sinalização de acessibilidade e um QR code que pode ser lido com celulares e que direcionarão a vídeos no YouTube.

Ainda em referência ao mês de setembro, o Programa Educativo do Oi Futuro oferecerá, em sua programação, a ação Que Com Palavras Não Sei Dizer , no dia 30 de setembro.