FUTURO

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RITA CLEMENTE

24 de julho de 2014

“O teatro é uma plataforma excepcional onde é possível atuar, dirigir e construir os próprios caminhos”.

 

Mineira de Araxá, graduada em Música pela UEMG e como Atriz, pela Fundação Clóvis Salgado (CEFAR/Palácio das Artes), a atriz, diretora e professora Rita Clemente não é apenas uma das figuras centrais do teatro mineiro, mas, também, uma das grandes expressões da cena nacional. Reconhecida por suas pesquisas de possibilidade de diálogo entre o teatro e a música, apostando em associações e fusões de linguagens, foi premiada, recentemente, com a Melhor Direção em “Dias Felizes: Suíte em 9 movimentos” pelo Prêmio Questão de Crítica, que prestigia a cena inovadora no Rio de Janeiro. Assinou a direção de inúmeros espetáculos, como “Luas e Luas” (Melhor Direção pelo Sinparc) e “Amores Surdos” (Grupo Espanca!), que lhe rendeu a indicação ao Prêmio Shell. Como atriz, integrou os elencos da minissérie “A Cura” e das novelas “Cama de Gato” e “A Vida da Gente”, além das participações em “Amor a Vida”, todas da Rede Globo. No cinema, atuou nos longas-metragens “Pequenas Histórias” e “Batismo de Sangue”. Rita vem estabelecendo parcerias em outros estados, como é o caso de “Fluxorama”, sucesso em 2013, no Oi Futuro Flamengo, no Rio de Janeiro. Agora, ela estará novamente no Oi Futuro BH, para apresentar “Inverno”, montagem inédita no Brasil do texto do escritor norueguês Jon Fosse, onde assina, além da direção, a orientação, estudo e criação de cenário em diálogo com ferramentas audiovisuais.

 

OF. Você desenvolve seu trabalho independente e conta também com parcerias em diversos projetos. Fale sobre a parceria com o Oi Futuro.

 

RC.  O Oi Futuro é uma das instituições culturais que mais tem abraçado trabalhos de mais alta qualidade. Todos comprometidos com a pesquisa e aprofundamento estético. Isto é algo especial. É uma curadoria que ecoa no país inteiro e acaba por produzir inovação na cena brasileira. O Oi Futuro é dos parceiros mais desejáveis para profissionais que estão interessados no aprofundamento de seu trabalho. E atrelar nossa obra a esta instituição já é uma forma de qualificá-la.

 

OF. Televisão, teatro ou cinema. Onde você se sente melhor? Atuando, dirigindo ou produzindo?

 

RC. Não sou boa produtora, mas faço, é necessário. Dirigir tem sido uma demanda do mercado e me adapto muito bem nesta função, uma vez que me permite um diálogo aberto com outras áreas e me coloca diante de questões estéticas e de conteúdo o tempo todo. Atuar tem sido uma dádiva, quando acontece, porque é uma imersão, um mergulho em si mesmo, abismo existencial em que ainda tenho necessidade de me atirar. Sinto-me melhor é quando posso realmente criar, seja na direção, seja como atriz e até produzindo. O teatro é uma plataforma excepcional onde é possível atuar, dirigir e construir os próprios caminhos.

 

OF. Nas suas montagens, momentos musicais orientam o jogo cênico, como aconteceu na premiada “Dias Felizes – Suíte em 9 Movimentos”, de Samuel Beckett.  Como foram as pesquisas sonoras realizadas nesta ópera contemporânea?

 

RC. Desde sempre alimento meu diálogo com música, mesmo tendo escolhido “a cena” como ponto de partida na minha criação. Em “Dias Felizes: Suíte em 9 Movimentos” essa relação se deu naturalmente. O texto de Beckett me levou a isso. Minha adaptação se apropria desta indicação do autor e segue um caminho particular. Um caminho que consubstancia as funções, as concretiza como se fossem uma só, não separadas. Minha pesquisa quer criar este amálgama essencial na obra de arte para que o cenário, o figurino, a trilha, a direção ou a atuação desapareçam para que o espectador possa ver a obra.

 

OF. O que o público poderá esperar do espetáculo “Inverno”?

 

RC. Mais uma busca pela essência das relações humanas. A imensa contradição que existe no amor, no sexo, na compaixão … nas relações! O autor me propõe delicados momentos e descobertas grandiosas. Espero que eu possa traduzi-las cenicamente.

 

OF. Quais os demais projetos para 2014?

 

RC. Acabo de estrear um texto de Lourenço Mutarelli em Belo Horizonte. Em novembro, estreio no Rio, orientando a criação de um espetáculo, com texto de Nicky Silver e direção de Maria Maya.