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Sete destaques sobre o futuro da educação no SXSW EDU 2018

9 de março de 2018

O South by Southwest (SXSW), um dos festivais de tecnologia e economia criativa mais importantes do mundo, traz em sua programação uma conferência que trata especificamente sobre inovação na educação: a SXSW EDU. A equipe do Oi Futuro está na cidade de Austin, no Texas (EUA), onde acompanhou tudo o que educadores e especialistas discutiram em quatro dias de painéis. Separamos aqui sete destaques sobre o futuro da educação e do trabalho:

 

1) Não é o que se ensina, mas como se ensina

O conteúdo que é ensinado atualmente nas escolas deveria ser apresentado dentro de um contexto próximo à realidade dos alunos (isto é, na prática). Dessa forma, é preciso investir na transversalidade de disciplinas e integrá-las – afinal, na vida todas as matérias se cruzam. As experiências próximas à realidade cotidiana dos alunos e das comunidades nas quais eles estão inseridos despertam mais interesse pelos assuntos apresentados.

 

2) Habilidades comportamentais e sociais serão mais importantes do que competências técnicas

Com um futuro em constante transformação, os jovens precisam saber que talvez as profissões com as quais eles sonham hoje poderão não existir mais daqui a um tempo. Por isso, as competências técnicas perdem valor em um mercado de trabalho interessado em profissionais criativos e capazes de resolver problemas cada vez mais complexos. Os especialistas defendem que as escolas passem a focar mais em ensinar criatividade, colaboração e pensamento crítico. Eles acreditam que métodos como brainstorming, storyboard e perguntas e respostas podem ser trabalhados na escola, aplicando o aprendizado na resolução de problemas, uma habilidade necessária em qualquer profissão.

 

3) É menos sobre ensinar e mais sobre inspirar o aprendizado

Com essas profissões do futuro, totalmente transformadas pela automação acelerada de processos, os alunos precisam se tornar “life learners”. Isso significa serem pessoas que estarão sempre aprendendo algo novo ao longo da vida. Dessa forma, os educadores devem atuar como curadores, e não repassadores de conhecimento. É preciso evoluir para um novo modelo educacional, focado em ensinar a pensar, a aprender e a agir.

 

4) Educadores precisam acelerar a mudança de mindset

A esmagadora maioria dos professores que hoje estão nas salas de aula foram formados por conceitos de 20 anos atrás, o que faz com que seu processo de adaptação às novas habilidades exigidas seja lento. A solução pode estar no uso de técnicas de startups e empreendedorismo. É fundamental investir para acelerar o processo de mudança do mindset dos educadores. As avaliações irão desaparecer da forma como são realizadas hoje e haverá plataformas para controle da aprendizagem. O educador, no entanto, continua sendo necessário, pois tecnologia sem pedagogia não é nada.

 

5) Inteligência Artificial e Ensino Personalizado

A inteligência artificial pode ajudar a promover o Ensino Personalizado, processo no qual cada aluno define sua própria trilha de aprendizado, algo mais curto, focado, eficiente e com mais significado. A inteligência artificial também pode ajudar a identificar as paixões e as lacunas de cada aluno, amplificando a aprendizagem com um trabalho personalizado. Por outro lado, a inteligência artificial traz o desafio de configuração de algoritmos e de possíveis vieses, o que cria preocupações éticas, sociais e um alerta para a necessidade de transparência.

 

6) Realidade virtual na sala de aula

A realidade virtual pode ser usada como uma potente ferramenta de engajamento de ensino: aumenta a curiosidade, é divertida e exercita a empatia dos estudantes. A tecnologia ajuda a trazer a experiência para dentro da sala de aula, seguindo o conceito de que a melhor forma de aprender é na prática. O desafio, então, está em como democratizar a realidade virtual na educação para que essa prática possa ser replicada em grande escala.

 

7) Quem tem direito à educação e ao trabalho do futuro?

É inevitável olhar para a interseção da educação com os problemas globais emergentes. Especialistas levantaram a necessidade de promover um ecossistema seguro onde a escola seja uma opção para a criança. De nada adianta criar escolas com educadores qualificados se a criança passa fome, vive em zona de conflito e tem problemas de saúde básica. O gap da desigualdade de gênero é mais um dos problemas que impacta a educação: no mundo hoje, 15% das crianças e adolescentes estão fora das escolas, sendo que mais de 2/3 desse grupo são do gênero feminino.

 

* Sara Crosman, diretora executiva, e Ana Helena Salgado, gerente de planejamento do Oi Futuro, selecionaram esses destaques.