FUTURO

Amy Webb na SXSW 2018

SXSW 2018: nove pistas sobre o futuro da tecnologia, segundo Amy Webb

15 de março de 2018

A equipe do Oi Futuro acompanhou a palestra de Amy Webb no South by Southwest (SXSW), em Austin, no Texas, e selecionou nove pistas sobre o futuro da tecnologia dadas pela fundadora do Future Today Institute. Confira alguns destaques apresentados pela futurista durante um dos maiores festivais de tecnologia e economia criativa do mundo:

 

1)    A era dos smartphones chegou ao fim

Para Amy Webb, os smartphones chegaram no ápice de sua inteligência e, de agora em diante, teremos apenas inovações incrementais (as vendas inclusive já estabilizaram). Ela acredita que, no futuro, teremos vários aparelhos (fones, mp3 players, pulseiras, óculos, relógios etc) e não precisaremos mais andar com smartphones.

 

2)    A interação entre humanos e máquinas será por meio da voz

O futuro da interatividade será por meio de voz e de interfaces que conversam conosco (como a Alexa, da Amazon). Amy acredita que os assistentes digitais estarão presentes em todos os lugares e que, até 2021, metade da população de países industrializados interagirá com computadores por meio de reconhecimento de voz.

 

3)  Nossa senha será nossa voz ou nosso rosto

Os voiceprints (em português, impressões de voz) são um conjunto de características mensuráveis ​​da voz humana que servem para identificar cada indivíduo. Esses traços, baseados na configuração física da boca e da garganta, podem ser expressos como uma fórmula matemática. No futuro, não haverá a necessidade de senhas e os sistemas de reconhecimento de voz ou face (os faceprints) serão usados para autenticação de usuários.

 

4) A inteligência artificial estará concentrada em nove empresas globais

De acordo com a futurista, o futuro da inteligência artificial será controlado por nove grandes empresas: Tencent, Baidu, Alibaba Group, Amazon, Google, Microsoft, Apple, Facebook e IBM. Essa consolidação em poucos players será maior com a evolução da tecnologia e espera-se que, em 2038, nossas informações (human data) serão tão ‘produtizadas’ que se tornarão valiosas como petróleo.

 

5) Os robôs absorverão a personalidade do usuário-treinador

 

As máquinas precisam ser educadas e, além disso, serem capazes de aprender continuamente à medida que executam tarefas (deep learning). Amy indica ainda outra tendência ligada à evolução da inteligência artificial: o aprendizado reforçado (reinforcement learning), em que o usuário se torna o próprio educador do seu robô, permitindo um treinamento individualizado. Por sua vez, o robô tenderá a absorver a personalidade do treinador.

 

6) Máquinas também poderão desenvolver inteligência sem supervisão humana

As redes contraditórias generativas (GANs) são uma classe de algoritmos de inteligência artificial utilizados na aprendizagem automática sem supervisão humana.

 

7) Robôs se tornarão menos específicos e mais multifuncionais e interessantes

 

No lugar de treinar as máquinas com conteúdos muito específicos, veremos a tendência de ensinar conteúdos abrangentes para que as máquinas se tornem mais inteligentes e interessantes.  A inteligência artificial do Google já criou códigos de machine learning melhor que os próprios desenvolvedores do Google.

 

8)    O corpo humano será a grande plataforma de desenvolvimento de novas tecnologias

No futuro, os médicos precisarão ser treinados em robótica para criar e prescrever nanorobôs que vão nos acompanhar e nos curar de forma certeira – transportando, por exemplo, remédios para uma região específica de nosso corpo através do sangue. Será possível observar o envelhecimento humano e pesquisar esse processo por meio de funcionalidades que pausarão, rebobinarão e gravarão as informações sobre as nossas células. Para Amy, a tendência abrirá caminhos para novas indústrias e profissões.

 

9)    Internet globalizada, porém fragmentada

Splinternets” (slit – em português, dividir – com internets) é um neologismo utilizado por Amy Webb para alertar sobre o cenário fragmentação da rede – com internets que se comportam de forma diferente dependendo do país e que podem favorecer a proliferação das fake news em escala nunca vista antes. O controle que cada país exerce sobre a internet tem comprometido o tráfego livre de dados em escala global e a formação de um ecossistema único.

 

O relatório completo apresentado por Amy Webb em sua palestra no SXSW contempla 225 tendências em 20 indústrias diferentes e pode ser conferido aqui. A organização do evento também disponibilizou o áudio completo da palestra da Amy Webb aqui.

 

Sara Crosman, diretora executiva, e Ana Helena Salgado, gerente de planejamento do Oi Futuro, fizeram a curadoria dos destaques.