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Tecnologias exponenciais como solução para desafios globais

27 de abril de 2018

As tecnologias exponenciais podem endereçar soluções para grandes desafios globais. Com essa temática foi realizada a primeira edição do SingularityU Brasil Summit nos dias 23 e 24 de Abril em São Paulo. O evento tratou de temas como robótica, biotecnologia, novas formas de aprendizado e transformação digital nas empresas com o propósito de ser um grande catalisador para acelerar a cultura de inovação e gerar  impacto positivo na sociedade. As SingularityU Summits são conferências de dois dias realizadas em todo o mundo e nas edições que aconteceram nos Estados Unidos, a delegação brasileira tem sido sempre uma das maiores. Com quase 2 mil participantes e ingressos esgotados, a conferência brasileira se transformou no maior Summit fora dos Estados Unidos. O Oi Futuro esteve lá e fez a curadoria dos destaques de algumas das concorridas palestras. Veja aqui:

1. #Abertura – Peter Diamandis

Co-fundador e presidente executivo da Singularity University,  Peter Diamandis participou por vídeo e falou que estamos vivendo o momento mais extraordinário da humanidade em toda a história, somos privilegiados pois estamos na era da abundância, período de grandes transformações em que a tec­nologia poderá aumentar significativamente a qualidade de vida de todos os habitantes do planeta. “Em 2017 havia 3,8 bilhões de pessoas conectadas na Internet, metade da população do mundo. Entre 2024 e 2025 vamos chegar a 8 bilhões de pessoas,ou seja 4,2 bilhões de novas mentes estarão online em todo mundo e é um momento incrível para empreendedores”. Em seguida discorreu sobre a importância de o indivíduo encontrar o seu propósito de transformação ou o MTP (massive transformative purpose),  “o que te faz levantar todas as manhãs e te mantem animado, o que tem a sua melhor energia, o que não te faz desistir, estamos falando de propósito, o motivo da sua existência,  uma causa audaciosa, grande e aspiracional, que cause transformação significativa na indústria, comunidade ou planeta, unindo pessoas e inspirando ações”. A Singularity University acredita que os maiores problemas globais são as maiores oportunidades de negócios e que todas as grandes transformações começam com grandes ideias e na cabeça de um grande principiante.

2. #Desenvolvimento consciente – Robert Muggah

Especialista em cidades, segurança, migração e novas tecnologias, o cientista político canadense é um dos fundadores do Instituto Igarapé, ONG especializada no estudo de segurança pública, ações contra a violência, entre outros temas. Robert Muggah fez uma apresentação focada em tecnologia social. Mostrou como as cidades são a chave para a nossa sobrevivência e a tendência de urbanização cada vez maior nos grandes centros, o que tem exigido um crescimento mais consciente e sustentável.

 3. # Como aumentar a qualidade de vida do ser humano usando a neurociência e a robótica – Divya Chander

Divya Chander é médica e neurocientista formada em Harvard, UCSD e UCSF, e atualmente faz parte do corpo docente do departamento de anestesia da Universidade de Stanford. Divya apresentou insights sobre a neurociência e a robótica e como gerar impacto positivo a partir da evolução tecnológica. Ela apresentou soluções inteligentes para a neurociência como a acessibilidade para daltônicos, através da instalação de sensores intracranianos para possibilitar a identificação das cores e a possibilidade de voltar a enxergar a partir da instalação de sensores na língua. Seu objetivo é possibilitar o entendimento dos mecanismos neurais da consciência e utilizar esse conhecimento para desenvolver algoritmos aprimorados para criar melhores monitores cerebrais.

4. # Insights do cotidiano -  Jarbas Agnelli

Diretor, designer e produtor musical Jarbas Agnelli inspirou o público a fazer novas conexões a partir de uma mente aberta e uma dose de  sensibilidade . Com uma orquestra ao vivo, compartilhou a experiência que teve um dia, ao abrir um jornal, e, ao se deparar com a imagem de pássaros descansando em fios da rede elétrica, perceber que eram cinco cabos e os pássaros ali repousados poderiam ser interpretados como notas musicais. “É impressionante como estes passarinhos me levaram a lugares inimagináveis”. Como resultado desse insight compôs a música clássica “Birds on the wires”, vencedora do festival YouTube Play e que foi tocada dentro do Guggenheim.  “Exemplos como esse mostram que tudo ao nosso lado, coisas que às vezes são imperceptíveis, podem ser usadas para inovar”, disse ele.

5. #Entendendo a nova economia – Tiago Mattos

Para Tiago Mattos, empresário, educador e futurólogo brasileiro, hoje estamos imersos num ecossistema onde coexistem três economias e seus modelos empresariais: a economia clássica, a economia digital e a economia pós-digital. A transformação digital das organizações, atualmente, passa por esses estágios econômicos. Cada uma dessas economias segue uma estrutura distinta de organização.

Na economia clássica, por exemplo, ainda há uma estrutura hierárquica forte que decide a estratégia e uma média gerência que processa esse entendimento e coordena a força de trabalho na execução do que foi planejado.

Já na economia digital essa estrutura é menor, porque a empresa como um todo também é menor. Grande parte da média gerência é parcialmente substituída por automação, através de algoritmos que fazem a distribuição das tarefas e são responsáveis por gestão de controles. E a força de trabalho dessas empresas/plataformas funciona através de  freelancers ou “microworkers” que não fazem parte da equipe da empresa e são considerados parceiros, como os motoristas do Uber ou os anfitriões do Airbnb.

Na economia pós-digital ou economia quântica, a alta direção foi substituída pelos “starters” que viabilizam e estruturam a empresa e que depois seguem para novos desafios, deixando como legado essa organização em funcionamento.. Todos são “microworkers” ou freelancers e se plugam a esse organismo que é uma virtualidade: quando as pessoas se plugam a empresa existe, quando não se conectam, a empresa inexiste e, é por isso, que pode ser chamada de quântica. Saímos da lógica de empresa para uma visão de ecossistema. Como exemplos, temos modelos de blockchain (bitcoin, entre outros) e de economia compartilhada.

Mattos destaca que para fazer essa passagem de um ambiente a outro, por meio de uma transformação digital de sucesso, é preciso a construção de uma cultura forte, capaz de sensibilizar e engajar os colaboradores verdadeiramente. “Cultura é o que as pessoas fazem quando ninguém pede”, afirmou o futurólogo. O empreendedor encerrou sua participação no SU destacando a necessidade de o Brasil passar a ser uma tendência e inspiração global de inovação a partir de um modelo de negócios genuíno que potencialize suas forças: valorizando o capital emocional, ressignificando a criatividade como vetor de transformação e aplicando a biomimética, disciplina que estuda e mimetiza a biologia para negócios, processos e design

6. #Inovação organizacional – Larry Keeley

Estrategista que trabalhou por mais de três décadas no desenvolvimento de métodos de inovação, Larry Keeley destacou que as grandes inovações têm sempre os mesmos padrões, ou seja, igual  código genético: a tecnologia está no centro da mudança e precisa parecer mágica, a experiência do produto/serviço tem que ser incrível e o preço que pagamos dever parecer justo para o consumidor. “É muito mais sobre resolver um problema certo com um processo de verdade, forte e estruturado”, afirmou para a plateia do SingularityU Brasil Summit, lembrando que 95% dos times de inovação estão trabalhando no problema errado e tentando inovar utilizando processos fracos. “A inovação deve ser pensada como plataforma, ou seja, como ecossistema para realmente ser disruptiva”.

Keeley criou um framework para auxiliar no desenvolvimento de inovação eficaz que passa pelo redesenho de etapas do processo de inovação e geram dez tipos de inovação (título de seu livro publicado em 2013). As inovações de sucesso passam por pelo menos cinco das áreas propostas por seu modelo de forma sistemática. E para o desenvolvimento de um design de inovação precisamos ter as seguintes respostas: O que é possível fazer (dentro de uma perspectiva de tecnologia)? O que é desejável (dentro de uma perspectiva de cliente)? O que é viável (dentro de uma perspectiva de negócio)? O que é sustentável (dentro de uma perspectiva de sociedade)?

Por fim, o estrategista apresentou pontos-chave sobre inovação na realidade das corporações brasileiras: todos (empresas e governos) sabem que  precisam inovar melhor e que já estão disponíveis ferramentas e técnicas apropriadas, para melhorar a taxa de sucesso deste desafio. As inovações podem ser desenvolvidas sistematicamente e isso aumenta exponencialmente a probabilidade de sucesso. Em função da diversidade de clima, raça, cultural e econômico, boa parte do mundo está usando a América Latina como um laboratório de inovação, é hora de assumirmos este controle.

“É imperativo que os inovadores do Brasil construam uma estratégia profunda e  regional de inovação, já que estamos num país de dimensão continental. Por fim  o Brasil pode ser pioneiro em algumas das melhores formas de fazer inovação disruptiva”.

7 # – Health e IOT – Plínio Targa

Outro tema muito falado quando abordamos inovação é Helthacare e o assunto foi apresentado por Plínio Targa, presidente da Braincare,  startup de tecnologia médica, brasileira,  que desenvolveu sistema inovador para o monitoramento da pressão intracraniana (PIC) de modo não invasivo. A leitura das curvas de pressão pode diagnosticar e prevenir diversas patologias (AVC, traumas, hidrocefalia, pré-eclâmpsia, meningite, aneurisma cerebral, diagnóstico de demência).

Seu método reduz significativamente os riscos, os custos e as complicações associadas a esse procedimento. O incrível é que este sistema foi desenvolvido pelo renomado cientista e professor Sergio Mascarenhas, que ao ser diagnosticado com Parkinson, não aceitou o diagnóstico e, após diversos exames, descobriram que o que ele tinha era hidrocefalia. Uma vez curado ele questionou o erro  do diagnóstico em pleno século XXI, a teoria do crânio inexpansível, e desenvolveu um sensor, com diversos algoritmos, que revela pela primeira vez não invasivamente, o perfil do comportamento da pressão intracraniana.

7. #Competências Socioemocionais – Tonia Casarin 

Empreendedora em educação e vencedora do “Global Impact Challenge” promovido pela Singularity University  em 2017 com o projeto de educação socioemocional, Tonia Casarin acredita que não há tecnologia melhor que a humana e trabalha com o desenvolvimento de competências socioemocionais, qualificando professores e pais para ajudar as futuras gerações a lidar melhor com suas emoções. Autora do livro ¨Tenho Monstros na Barriga¨, citou dados do Fórum Econômico Mundial e lembrou em sua palestra que 65% das crianças nas escolas primárias hoje irão trabalhar em empregos que ainda não existem. “Como prepará-las para um futuro que a gente não sabe como vai ser?”, indagou. A palestrante afirmou que o período em que as crianças desenvolvem maior atividade cerebral é até os seis anos e, por isso, sugeriu que até esta idade os educadores trabalhem as motivações dos pequenos  (identificando o “eu”), a empatia (para entender o outro) e a flexibilidade do desconhecido (para entender o mundo em constante mudança). Por isso, ela acredita que é preciso questionar como estamos preparando as crianças para o futuro e investir em competências como criatividade, inteligência emocional e mediação de conflitos. “E mais, que todo esse aprendizado seja realizado com afeto”, concluiu.

8. #Tecnologia Social – Francisco Barreto

Sócio da Maker Investimentos Criativos, Francisco Barreto atuou até 2017 como Chief Innovation Officer e coordenador da área de Educação e Oportunidade da ONG Viva Rio. Em sua palestra alertou para o fato de termos acesso a diversas tecnologias, mas ainda não conseguirmos resolver desafios sociais, especialmente os que ele conceituou como derivados da escassez social e da defasagem cultural. “O Brasil enfrenta grandes problemas sociais: violência, envelhecimento da população, 35% da população sem acesso à internet, tem baixa confiança interpessoal; e é um dos países mais desiguais do mundo. Precisamos endereçar os problemas através de uma abordagem mais sistêmica e digitalizar o impacto social para tornar os recursos escassos em abundantes”.

 Sara Crosman, diretora executiva, Oi Futuro, fez a curadoria dos destaques.