FUTURO

mostra cia burlantinssão paulo - 05 a 07-11-2004foto: leonardo lara

TIZUMBA VEM AÍ

1 de abril de 2014

Instrumentista, cantor, compositor, ator e empreendedor cultural. Um dos mais populares artistas de Minas Gerais, começou a carreira em 1973 e, desde então, é sempre um sucesso. Maurício Tizumba é um dos criadores da Companhia Burlantins, grupo teatral de rua marcado pela musicalidade e em atividade desde 1996, e do Tambor Mineiro, de percussão, com influência do congado. Entre suas composições mais conhecidas estão “Sá Rainha” e “Maurice a Paris”. Em 1996, lançou o primeiro disco,  ”África Gerais”, no qual incluiu congadas, maracatus e outros ritmos afro-brasileiros. Um ano depois, ao lado de ícones como João Bosco, Lô Borges, Sérgio Santos, grupo Conversa de Cordas, Patu Fu, Uakti, Paulinho Pedra Azul, grupo Nós e Voz e grupo Galpão, participou do CD “Prato feito”, da Campanha Contra a Fome no Brasil, do sociólogo Betinho. Apresentou-se em vários países, como Canadá, Estados Unidos, França e Itália, e participou da segunda edição do Rock in Rio, junto com um grupo de congada e com o músico Márcio Montarroyos. Entre os inúmeros espetáculos em que atuou estão “A Turma do Pererê”, de Ziraldo, e “Galanga, Chico Rei!”, de Paulo Cesar Pinheiro. Em abril, Tizumba vem aí com mais um de seus inúmeros e criativos trabalhos. Ele assina a direção musical dos espetáculos da Cia Burlantins, “Clara Negra”  e “Oratório – A Saga de Dom Quixote e Sancho Pança”, que estarão no Oi Futuro, durante a II Mostra Benjamim de Oliveira.

 

OF. Quais foram as suas principais influências na arte afro-brasileira?

MT. No meu caso foram, certamente, os terreiros de congado e candomblé de Minas Gerais. Cresci no bairro Nova Esperança, em Belo Horizonte. Na periferia da cidade as festas de Congado são muito comuns. Aprendi sobre a tradição principalmente com meus parentes. Nasci escutando tambor em terreiro de congado. Sou moçambiqueiro. Do amor e do envolvimento com o Congado e suas guardas nasceram o projeto Tambor Mineiro e o Festejo do Tambor Mineiro. Criado em 2002, o Festejo promove o encontro de várias guardas de congado de BH e do interior. O evento é na rua e tem uma parte de apresentações artísticas que já contou com artistas como Elza Soares, Chico César e Fabiana Cozza. Outra grande referência é Grande Otelo. Quando fui convidado para interpretá-lo na peça Grande Otelo – Êta Moleque Bamba, que estreou em 2004, mergulhei de cabeça no trabalho dele. Assisti a tudo que existia.

 

OF. Você já foi classificado com um “ator completo”, que faz lembrar Grande Otelo. Outros o chamam de multiartista. Como foi a sua trajetória até chegar a esse reconhecimento?

MT. Acho que a comparação com o Grande Otelo vem do meu jeito macunaíma de ser. Ainda adolescente, vi que cantando eu ganhava dinheiro, dançando ganhava ,tocando, e assim por diante. O jovem multiartista nasce da necessidade de sobrevivência.

 

OF. Não é a primeira vez que você se apresenta no Oi Futuro. Fale um pouco sobre os outros trabalhos exibidos no centro cultural.

MT. Em Beagá não tive muita oportunidade de trabalhar no Oi Futuro, mas estive lá com o grupo de dança do Palácio das Artes recentemente, dançando, cantando e interpretando. Foi gratificante. Ja trabalhei no espaço da Oi no Rio, onde fui premiado na peça Os Saltimbancos, como melhor ator de teatro infantil, em 2010.

 

OF. O que o público poderá esperar desses dois novos espetáculos apresentados pela Companhia Burlantins?

MT. Não são espetáculos inéditos. Oratório estreou em 2012 e Clara Negra ano passado. Os dois foram grandes sucessos de público e crítica. O público vai poder conhecer a força de artistas negros de Minas contando a história da sambista Clara Nunes e do cavaleiro da triste figura de Miguel de Cervantes, o Dom Quixote. A Burlantins continua acreditando na arte popular como nunca, no que vem do povo e do que tá na rua, mas sem perder o flerte com o erudito.

 

OF. Instrumentista, cantor, compositor, ator e empreendedor cultural. Onde Maurício Tizumba se sente mais à vontade?

MT. Gosto muito, muito mesmo de trabalhar, de tudo que faço, mas cantar tem um lugar afetivo especial.