FUTURO

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Uma jornada poética com Rosangela Rennó

1 de dezembro de 2016

Nascida em Belo Horizonte, é formada em Arquitetura pela Universidade Federal de Minas Gerais e em Artes Plásticas pela Escola Guignard (BH), e concluiu o doutorado em Artes pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Há mais de vinte anos morando no Rio de Janeiro, Rosângela Rennó sempre é citada quando o assunto é a imagem fotográfica e seus desdobramentos. Em seus trabalhos, cria ambientes com a ampliação das reflexões artísticas entre realidade e ficção, público e privado e sujeito e memória. Com amplo reconhecimento nacional e internacional, tem obras incluídas em algumas das mais importantes coleções públicas: Museo Nacional Reina Sofia (Madri), Arts Institute of Chicago, Tate Modern (Londres), Daros Latin America (Zurique) e Stedelïk Museum Amsterdã. Realizou inúmeras exposições individuais e coletivas e participou de Bienais, sendo duas em São Paulo, além do Mercosul, Veneza e Havana. Sua exposição “Espírito de Tudo”, em cartaz no Oi Futuro Flamengo, transmite uma atmosfera mágica e convida o visitante a aguçar seus sentidos, inclusive, o olfato, através das obras expostas, e se aprofundar no trabalho desta grande artista. Na mostra, a intervenção “As Águas Viajantes” ganhou destaque através de uma campanha desenvolvida pela Oi entre seus funcionários, que doaram frascos de perfumes vazios.

OF. Desde os seus primeiros trabalhos, no final da década de 1980, tendo como base fotografias de álbuns de família, o que de mais representativo mudou na sua trajetória artística?

RR. Aprendi a deixar que as próprias fotografias me levassem para outros territórios como a identidade, o anonimato, a violência, o esquecimento e amnésia, por exemplo. E, das próprias fotografias, acabei entrando na vertigem dos arquivos e seus meandros.

OF. Na mostra “Espírito de Tudo” suas obras abrem caminho para a fotografia, flertam com o ilusionismo da luz, passam pela memória olfativa. Como foi o processo de criação de toda esta atmosfera mágica?

RR. Impossível explicar… foi um processo paradoxalmente intuitivo e conceitual de somar coisas muito antigas com coisas bastante recentes, inclusive uma intervenção inédita nas vitrines do próprio Museu das Telecomunicações, do Oi Futuro. Tudo se encaixou, como por encanto. Como se certas coisas tivessem que estar juntas: espírito de tudo.

OF. Conte-nos um pouco sobre duas obras que integram a exposição no Oi Futuro Flamengo: “Realismo fantástico” e “Círculo mágico”.

RR. “Realismo fantástico” é uma obra cinética criada em 1991, para uma intervenção no espaço do antigo Paço das Artes, em São Paulo, a partir do princípio da ‘lanterna mágica’ de projeção de imagens sobre a parede. Só foi exibida no Rio de Janeiro uma única vez, em 1994, no antigo Ibeu Madureira. O “Círculo mágico” é uma projeção de vídeo em 3 canais, ainda inédita, feita a partir de minha intervenção na casa/museu Fundação Eva Klabin, no projeto Respiração, em 2014.

OF. O que é mais importante para você, entender como as pessoas se relacionam com as imagens ou as imagens propriamente ditas?

RR. Sem as pessoas que as vêem as imagens não fazem o menor sentido. Me preocupo mesmo é com elas, claro e sempre.

OF. Quais são suas principais referências filosóficas e técnicas?

RR. Posso citar alguns nomes que constarão da exposição e do livro: Baudelaire, Italo Calvino, Juan Rulfo, Walter Benjamin, Fernando Pessoa, Guy de Maupassant, Oscar Wilde e os personagens “Alvaro de Campos”, “Bernardo Soares”, “Pedro Páramo” e “o turista transcendental”. Sobre as referencias técnicas, acho que cito a humanidade.