FUTURO

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Videoartista Fabiano Mixo leva realidade virtual para alunos do NAVE

13 de junho de 2017

Quando Fabiano Mixo era morador de Nova Iguaçu e precisava pegar os trens da Central todos os dias para ir à escola, ele gostava de olhar o trajeto que o transporte fazia e de alguma forma enxergava poesia naquele movimento. Hoje, aos 29 anos, o carioca é um conceituado videoartista premiado no exterior que transformou a experiência vivida durante toda a adolescência em obra de arte feita em realidade virtual. Em cartaz no Centro Cultural, Cartas a Lumière – A chegada do trem à estação é uma videoinstalação imersiva que confronta as origens do cinema com novas tecnologias e espaços. Ao colocar os óculos necessários para a imersão na ferramenta, o espectador é transportado para cima de um dos trens da ferrovia e pode desfrutar da visão panorâmica dos trilhos, das paisagens e dos sons que compõem o ambiente. Uma experiência que mexe, literalmente, com as sensações.

Videoartista Fabiano Mixo leva realidade virtual para alunos do NAVE
Videoartista Fabiano Mixo na entrada do NAVE Rio

Ex-aluno do Oi Kabum! 

De passagem pelo Brasil, Fabiano – que há sete anos mora em Berlim – visitou na última terça-feira (06/06) pela primeira vez o Escola Estadual José Leite Lopes, o NAVE Rio, na Tijuca. Ex-aluno do projeto Oi Kabum!, escola de arte e tecnologia do Oi Futuro para jovens de baixa renda, ele se emocionou ao conhecer o local e contou sobre a sua experiência para uma plateia de 50 alunos do Ensino Médio. “É extraordinário ver como o bastão continua sendo passado. Eu nunca tinha vindo ao NAVE e fiquei verdadeiramente impressionado. Foi na Kabum que conheci a imagem e o movimento, foi lá que eu comecei a trabalhar com as mídias relacionadas ao tempo. E foi esse o grande legado que eu ganhei: poder utilizar essas ferramentas. As pessoas que eu conheci ali dentro também foram muito importantes na minha vida”, comentou. “E agora voltar expondo no Oi Futuro é como se eu fechasse um ciclo. É poder ver a trajetória diante de mim”, complementou Fabiano.

“Foi na Kabum que conheci a imagem e o movimento (…).
E agora voltar expondo no Oi Futuro é como se eu fechasse um ciclo.
É poder ver a trajetória diante de mim”

O bate-papo contou com perguntas de todos os tipos para Fabiano e também para Leonardo Lamha e Leonardo Souza, respectivamente co-roteirista e editor do vídeo. Mas o que realmente chamou a atenção dos alunos foi a oportunidade de vestir os óculos e “surfar” pelos trens da Central em realidade virtual. Com diferentes reações aos movimentos impostos pela experiência, os estudantes ficaram fascinados pela riqueza de detalhes do vídeo. Fabiano contou ainda que lembrava exatamente da primeira vez em que viu imagens em realidade virtual e de como se sentiu: “A primeira vez que vi um vídeo em realidade virtual as imagens tinham sido feitas na Índia, e pra mim foi muito impactante. Me senti como na primeira sessão de cinema em que o público achava que o trem ia passar por cima deles. Foi ali que eu pude perceber o impacto da presença, do olhar, do poder de tomar decisões a partir do olhar”, explicou.

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Alunos do NAVE Rio experimentam a videoinstalação Cartas a Lumière

Prêmio The Lumen Prize

Vencedor do prêmio de arte digital The Lumen Prize na categoria ”Prêmio do Público” e de Melhor Filme Experimental pela Associação Alemã de Críticos de Cinema, o artista multimídia frisou a importância de sair do país para treinar o seu olhar e estar em contato com novas culturas (ouça detalhes da entrevista no nosso podcast), mas fez questão de ressaltar que o momento mais emocionante de todo o processo de confecção do filme foi durante as gravações, aqui no Rio de Janeiro, na Central do Brasil. “É no fim do filme que você entra em contato com o conceito de multidão e movimento que eu quis abordar, e vive uma real experiência de realidade virtual”, diz. A julgar pelo alto índice de espectadores que têm retornado à exposição, a obra de arte realmente te proporciona uma viagem pelos trilhos.

Ouça neste podcast uma entrevista com Fabiano Mixo: