FUTURO

Walter Firmo (foto Milton Montenegro)

WALTER FIRMO: “A FOTOGRAFIA É O AR QUE EU RESPIRO”

26 de dezembro de 2013

Poucos se fotografaram tanto. Com a família, com os amigos, com anônimos. Poucos se despiram de vaidade com tanta naturalidade. Ao contrário de outros artistas que estilizaram sua imagem, ele esteve sempre em sua própria pele. Ao fotografar celebridades, também se fez celebridade. Entre críticas e elogios, sempre fez o que quis.

Este é Walter Firmo, carioca, 76 anos, um dos mais importantes fotógrafos brasileiros, super premiado, diversos livros publicados. Seus trabalhos estão presentes em inúmeras coleções e acervos no Brasil e em países como França, Itália e Estados Unidos. Reconhecido internacionalmente pela sensibilidade no uso da cor, Firmo mostra um outro lado, ao lançar, no Oi Futuro Ipanema, durante a a exposição “Brasil em Preto e Branco”, o primeiro aplicativo de um fotógrafo brasileiro, com fins culturais, destinado às plataformas iOS (iPad).

 

OF. Quando surgiu a paixão pelas novas tecnologias e o que representa esta exposição na sua carreira?

WF. Interessante esta pergunta, porque com a idade que tenho há que me ajustar dentro do jeito que o mundo roda, do jeito que o tempo rola, embolando-nos nos méritos ou não. Eu, de minha arte sempre me recorto e me prendo nas novidades e sendo geminiano, procuro me adequar às novidades e, sendo assim, não foi difícil sobreviver nas novas circunstâncias. Sou um “velhinho” bem adaptado às tecnologias tem uns cinco anos. Esta exposição, “Brasil em Preto e Branco”, representa de certo modo um novo ressurgir profissional, quando um “aperte o botão”, me colocará no automático aos olhos do povo.

 

OF. Parafraseando o Milton Montenegro, curador desta mostra no Oi Futuro Ipanema, “Nenhum fotógrafo é capaz de usar a luz tropical para retratar o país e sua gente com resultados tão plásticos e poéticos.” Como você recebe todo esse reconhecimento no Brasil e no exterior?

WF. Como um espelho nada quebrado e bem transparente até, anunciando aos que não me conhecem que existe um caboclo exorcizando a brava alma brasileira, projetando aos quatro cantos da nossa nacionalidade toda alegria de viver. É um testemunho quase cinematográfico de uma história contada através de uma fotografia que se engaja na majestade da luz tropical forte por excelência, engendrada naturalmente no seu habitat natural das coisas, desde o arvoredo à casa tosca simplesmente. Existe uma façanha de se estruturar o que o povo tem de melhor, sua sinceridade de ser.

 

OF. Você já fotografou ícones da música brasileira e suas famosas fotos de Cartola, Candeia, Pixinguinha, Paulinho da Viola, Clementina de Jesus e Dona Ivone Lara, entre muitas outras, estão presentes em  museus e galerias de arte. Existe uma paixão também pela Música?

WF. Sim, minha paixão pela música vem ainda dos tempos da transformação do menino em homem, por volta dos quatorze anos de idade. Cantava no programa do Clube do Guri, na Rádio Tupy, e enviava fotos às fãs, imagens da minha cara no melhor estilo, autografada e tudo. Gosto do samba, chorinho, tango e o jazz, onde repouso todas as minhas angústias e soluções de sonho.

 

OF. Qual o verdadeiro sentido da fotografia na sua vida?

WF. Este sonho só acabará no dia da minha morte porque ela é o melhor residual da minha vida. É ela que me seduz, é ela que me anima, é ela que me transtorna e não me faz envelhecer. Ela, verdadeiramente, é o ar que eu respiro.

 

OF. O Walter Firmo, repórter fotográfico, há mais de 50 anos, mudou muito do Walter Firmo atualmente?

WF. Mudou, porque todos nós mudamos a todo momento. Hoje escrevo textos sobre minha amada, dou aula sobre, e as atuais imagens têm um sentido mais reflexivo sobre o olhar, não sou mais aquele puro que se exercitava nos carros de reportagem flagrando o que estava diante de si.