FUTURO

Miguel Rio Branco

Oi Futuro abre exposição “Wishful Thinking”, de Miguel Rio Branco

16 de novembro de 2017

  • Artista ocupa todas as galerias do centro cultural no Flamengo com fotografias, instalações imersivas e audiovisuais, com curadoria do próprio artista e Paulo Miyada e co-curadoria de Alberto Saraiva;
  • Com a obra, artista leva para dentro do Oi Futuro uma paisagem pós-apocalíptica, com plantas, rochas e escombros

Rio de Janeiro, 16 de outubro de 2017 – Um dos principais nomes das artes visuais em atividade no Brasil, Miguel Rio Branco abre exposição individual no Oi Futuro hoje, 16, ocupando todas as galerias do centro cultural no Flamengo. Com curadoria do próprio artista e Paulo Miyada e co-curadoria de Alberto Saraiva, a mostra tem patrocínio da Oi, do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro. O público poderá visitar a exposição de 17 de novembro até 28 de janeiro de 2018, com entrada franca.

A mostra, que reúne fotografias e instalações imersivas e audiovisuais, vai levar uma paisagem pós-apocalíptica, com plantas, rochas e escombros, para dentro do centro cultural, como parte da instalação Wishful Thinking. “Nossa programação de artes visuais de 2017 foi marcada por grandes mostras, como as retrospectivas de Robert Capa e de Nam June Paik e o projeto Outras Ideias. Fechar o ano com um nome como Miguel Rio Branco é incrível. Miguel é um dos maiores artistas brasileiros em atividade e tem trazido, cada vez mais,  para a seu trabalho questões cruciais acerca das grandes cidades contemporâneas”, afirma Roberto Guimarães, gestor de cultura do Oi Futuro. “Com obras sinestésicas e impactantes, Miguel aponta sinais de falência da vida contemporânea e alternativas para a vida do planeta, aproximando o público das cinzas geradas pelo sacrifício e a destruição do passado e do futuro da humanidade”, completa Miyada.

Miguel Rio Branco iniciou sua carreira artística como pintor, tornando-se depois fotógrafo, cineasta e criador de instalações audiovisuais, reconhecido com prêmios nacionais e internacionais. Parte de sua obra pode ser vista em seu pavilhão, inaugurado em Inhotim em 2010.

A exposição

O percurso da exposição começa com uma instalação imersiva, desdobramento direto da obra “Wishful Thinking” (2015), onde plantas instaladas em meio a rochas, detritos e escombros remetem à ruína de uma civilização invadida pela natureza. A situação criada, reforçada por vídeos apresentados em monitores de TV espalhados sobre o chão de terra da instalação, remete ao que sobreviveria ao final das cidades contemporâneas após uma possível catástrofe. Apesar do cenário alarmante, o ambiente criado por Rio Branco é surpreendentemente acolhedor. O calor, a umidade e a cor das plantas que envolvem o visitante apontam uma esperança de retorno da exuberância e da soberania da natureza.

Em seguida, distribuídos pelos três andares do centro cultural, vídeos e fotografias representam conflitos das cidades contemporâneas e formas alternativas de conceber tempo, espaço, natureza e sociedade.

Na Galeria 2, a videoinstalação “Sob as estrelas, as cinzas”, traz uma projeção dupla em que se alternam: imagens de mineração e destruição; cenas de encontros e ritos de indígenas; um céu estrelado; instantâneos de resíduos e fragmentos de grandes metrópoles. A obra é uma releitura de instalação feita em 1992 para a mostra Arte Amazonas, apresentada no MAM-RJ sob curadoria de Alfons Hug.

Ainda na Galeria 2, um conjunto de fotografias intitulado “Maldicidade” reúne flagrantes da urbanidade decadente em metrópoles de diversas partes do mundo. Há também a instalação “Ofelia”, que recebe nova montagem nesta exposição e constrói seu sentido poético a partir de elementos de origens variadas: lâmpadas vermelhas de neon, para-brisas e vidros de automóveis, chapas metálicas, imãs, um casaco, uma fotografia impressa em tecido translúcido.

Na Galeria 3, a sessão final da exposição, está a obra “Diálogos com Amaú” (1983), instalação audiovisual que reúne cinco projeções sobre telas translúcidas de tecido voile dispostas no espaço em penumbra e envoltas pelo som gravado pelo artista durante um ritual indígena da aldeia de Gorotire. Nas imagens projetadas, o visitante encontra uma série de fotografias do menino Amaú, alternadas com cenas capturadas em diversos tempos e lugares.

“Pretende-se apresentar ao grande público um corte transversal na obra de Miguel Rio Branco, organizado e editado pelo próprio ao artista como uma experiência contínua que passa por várias obras. Isso implica, a um só tempo, uma oportunidade de reencontro com cenas do Brasil que o próprio país tende a ignorar, por preferir ignorar aquilo que destoa de sua aparência idealizada, e uma chance de debater, com auxílio poético e linguístico da arte, as urgências e possibilidades da vida contemporânea”, explica Miyada.

Sobre Miguel Rio Branco

Filho de diplomata, Miguel Rio Branco nasceu na Espanha e viveu entre Brasil, Portugal, Suíça e Estados Unidos na adolescência. Sua obra foi inicialmente associada à fotografia documental, atuando como correspondente da icônica Agência Magnum desde o final da década de 1970. Em seguida, Rio Branco expandiu seu olhar para a expressão plástica e poética, no âmbito das artes visuais. Seus processos de edição e justaposição concatenada de imagens se apropriam de diversos recursos da pintura, da colagem e do cinema, construindo sentido a partir de encadeamentos sinestésicos.

Desde os anos 1960, o artista vem participando de mostras coletivas, entre elas no Centre Georges Pompidou, Tate Gallery (Londres e Liverpool), Guggenheim (NY), Biblioteca Nacional da França, Stedelijk Museum (Amsterdam), MASP, MAM-RJ, MAM-SP, Museu de Belas Artes (Rio), Paço Imperial (Rio), Instituto Tomie Ohtake (SP), Oi Futuro (RJ), a Bienal de São Paulo, ARCO, Bienal do Mercosul, Bienal de Arte de Cuba.

Tem exposto individualmente em museus e galerias no Brasil e no exterior, entre eles o MAM-RJ, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Galeria Camargo Vilaça (SP), Fundación La Caixa (Barcelona), Centro Português de Fotografia (Porto), The Art Institute of Boston, Museum of Contemporary Art de Tóquio.

Atualmente, Miguel Rio Branco vive e trabalha em Araras, na região serrana do Rio de Janeiro.

 

SERVIÇO:

Miguel Rio Branco

Abertura: 16 de novembro de 2017
Visitação: de 17 de novembro de 2017 a 28 de janeiro de 2018
Oi Futuro (R. Dois de Dezembro, 63 – Flamengo)
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca – classificação livre
Informações: (21) 3131-3060